Venezuelanos são presos acusados de tráfico internacional de surdos-mudos

Carolina Heringer

RIO - Um casal de venezuelanos acusado de tráfico internacional de pessoas surdas-mudas foi preso em flagrante nessa quarta-feira por policiais da Delegacia de Apoio ao Turista (DEAT). De acordo com as investigações, eles possuíam um esquema no qual traziam estrangeiros de seu próprio país para o Rio, e aqui os mantinham em condição análoga à escravidão. O casal também é surdo-mudo.

Segundo as investigações, o casal de venezuelanos cooptava pessoas surdas-mudas em seu país de origem com a promessa de trazer as vítimas para o Brasil e conseguir empregos para elas. Quando chegavam aqui, obrigavam os estrangeiros a pedirem dinheiro nas ruas para custearem o valor gasto com a vinda deles para o Rio e suas despesas na cidade. A Polícia Civil estima que os venezuelanos conseguiam arrecadar cerca de R$ 500 por dia, de terça a sexta-feira. No fim de semana, o valor caía para R$ 200.

O casal de venezuelanos foi preso nessa quarta durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão pela DEAT na casa onde eles moravam, no Grajaú, Zona Norte do Rio. No local, os policiais encontraram passaportes, outros documentos e cartões dos estrangeiros vítimas do casal. Também foram encontrados centenas de folhetos que eram distribuídos pelos surdos-mudos nas ruas.

“Somos venezuelanos e sofremos problemas graves. Estou doente e meu país passa por uma grave crise. A fome se alastrou por todo território venezuelano”, dizia um dos panfletos encontrados.

Na casa, havia uma venezuelana que foi trazida para o Rio pelo casal. A polícia estima que outros quatro estrangeiros também fossem mantidos na residência, mas eles não estavam no local. Todos viviam na casa no Grajaú, na Zona Norte do Rio. Na residência, a polícia também encontrou 440 reais e 445 dólares, ambos em espécie, além de uma lata repleta de moedas brasileiras.

As investigações da polícia apontam que o casal de venezuelanos apreendia os passaportes, documentos e cartões de suas vítimas e os obrigava a morar na casa situada no Grajaú. Os estrangeiros eram obrigados a permanecer na rua, pedindo dinheiro, durante todo o dia. Eles só podiam retornar para a residência quando conseguissem a quantia diária estipulada por eles.