Verão 2023: sol reaparece por algumas horas e enche as praias do Rio; chuva voltou a cair no fim da tarde

Na bandeja de um atendente de quiosque, um copo de 500ml de um drinque bem colorido e com muito gelo cruza a paisagem do Morro dos Irmãos, nas areias da praia de Ipanema, na Zona Sul do Rio. Música, biquíni de fita isolante e altinha na beira do mar. As barracas espalhadas e ocupadas por centenas de grupos confirmam: o sol reapareceu no Rio, ainda que tímido, depois de uma sequência de dias de chuva. Mas o sumido não ficou muito tempo: no início da tarde, um ventinho refrescante já dava indícios de que o tempo iria virar.

Moradora de Rio Comprido, Kátia Renata Ramos, de 35 anos, reuniu os amigos para finalmente aproveitar o sol e colocar o bronze em dia. Até o cachorro Bradock foi, um simpático golden retrivier.

— Coloco a fita (isolante) para deixar a marquinha bem certinha. Vim garantir o bronze nesse verão, quero ficar belíssima para o carnaval — conta Kátia, enquanto recebe um pratinho de salada de maionese com farofa do amigo. — O sol demorou para caramba para aparecer, mas hoje veio. De manhã estava mais aberto, calor, agora à tarde esfriou um pouco — relatou ela sobre o tempo, que já dava sinais de mudança.

De olho na previsão do tempo, o professor de história Otto Barreto, de 36 anos, observava o horizonte antes de cair na água. Morador local, ele tem o hábito de nadar no mar do meio de Ipanema até o Arpoador.

— Eu vi ontem que o tempo ia virar mais ou menos 13h. Acordei mais tarde por causa das férias e quase desisti de vir. Mas vi de novo a previsão e deu que ia chover por volta de 15h, aí me animei. Tem que garantir o exercício, né? — conta Otto, que vestia um long john, um macacão de borracha. — É para evitar cãibras causadas pela temperatura da água, que deve estar a uns 19 graus — explicou.

A quarta-feira começou com sol aberto no Rio e chegou à temperatura máxima de 33 graus, de acordo com o Climatempo. Uma família de argentinos fugiu da chuva na Região dos Lagos, onde estavam a passeio dias antes, e encontrou uma brecha no calor do Rio. Entre um mergulho e outro, os irmãos gêmeos Joaquin e Mikel, de 20 anos, e a caçula Ainhoa, de 18, aproveitaram para jogar altinha à beira-mar.

— É a nossa primeira vez em Ipanema, a praia é muito linda, a água está uma delícia e o clima é perfeito. Nós viemos cedo e de manhã tinha muito sol, estava muito bom — disse Mikel Marmol.

Também foi a primeira vez da estadunidense Samantha Lynnot, da Califórnia, em Copacabana, com o marido.

— A gente ficou cinco dias em São Paulo e vamos ficar mais cinco aqui no Rio. Lá estava super frio, aqui está uma delícia. Remei no stand-up paddle, aqui tem poucas ondas, pouco vento, foi muito divertido — relatou a visitante.

O ano de 2023 começou há apenas 11 dias e em nove deles houve registros de chuva, segundo informações do Sistema Alerta Rio. Além desta quarta-feira, o sol ainda apareceu, mesmo que entre nuvens, em outros cinco dias, mas sem temperatura elevada o suficiente que levasse, em peso, a clientela do quiosque de seu Josué Barbosa, de 65 anos, no Arpoador, onde trabalha há 24 anos.

— Eu nunca vi um janeiro assim. Estão dizendo que o sol vai aparecer na segunda quinzena, eu já não sei de que mês. Fico apavorado, preciso pagar conta e estou sem trabalhar desde a última quarta-feira; de lá para cá choveu sem parar. Não vejo a hora de abrir de vez o tempo. A gente recebe muito turista, acaba salvando um pouco, mesmo sem sol. É só não chover, pelo menos — desabafa.

No último dia de viagem no Rio, a aposentada Regina Aparecida Caetano, de 68 anos, quis aproveitar até o último momento a praia do Arpoador com a família, antes de pegar o voo para Guarulhos, em São Paulo, no fim do dia.

— Chegamos aqui na quinta-feira, debaixo de chuva e clima frio. Tive que sair para comprar roupa, porque só trouxe traje de calor. Fizemos programas mais culturais nesses dias de ‘inverno’ — brincou — Nosso voo sai 18h30, daqui a pouco vamos embora, mas queríamos curtir um pouco de praia no Rio, né? — comenta.

No fim da tarde, um temporal atingiu diversos pontos da cidade, que chegou a entrar em estágio de mobilização às 15h20, segundo o Centro de Operações Rio (COR). ÀS 20h, o município retornou ao estágio de normalidade. Por volta de 16h30, o Alerta Rio informou que foram registrados núcleos de chuva moderada a forte em Irajá e na llha do Governador, na Zona Norte do Rio, e em Santa Cruz e Campo Grande, na Zona Oeste. No Centro e na Zona Sul também houve pancadas de chuva.

Segundo o Alerta Rio, a chuva nessa época do ano está diretamente ligada à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), um sistema meteorológico que dura muitos dias, com um canal de umidade que atravessa o Brasil, desde a Região Amazônica até a Região Sudeste. Além disso, as chuvas também são fruto de áreas de instabilidade associadas ao calor e à alta umidade e também das frentes frias.

Na quinta e sexta-feira, o tempo permanece influenciado por áreas de instabilidade em médios e altos níveis da atmosfera, em conjunto com o calor e a elevada umidade. A previsão é de pancadas de chuva isoladas durante os períodos da tarde e noite, podendo vir acompanhadas de raios. A estimativa de chuva é de 10 mm para cada um desses dias.

No sábado e no domingo, o tempo segue com nebulosidade e possibilidade de pancadas de chuva isoladas no final da tarde, com acumulados de 5 mm para cada dia.