Verão da pandemia: entenda por que é preciso passar protetor solar até dentro de casa

Rodrigo de Souza
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Foto: Pixabay

Muito se fala dos cuidados com a pele sob a exposição à luz solar no verão — e com razão. Mas, em tempos de confinamento, é preciso chamar atenção também para as ameaças que incidem sobre a pele em ambientes fechados. Os dermatologistas são taxativos: é indispensável o uso de protetor solar até dentro de casa, pois mesmo a luz dos celulares pode causar danos à pele.

Aparelhos como celulares, TVs e computadores também lançam a chamada luz visível, termo que abrange toda luz que podemos ver a olho nu. Para a dermatologista Mayara Nascimento, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a pandemia nos deixou mais expostos à claridade irradiada por equipamentos eletrônicos.

— Já se sabia que esse tipo de luz está muito relacionado ao envelhecimento precoce da pele e ao surgimento de manchas. Mais recentemente, no início de 2019, um grande estudo comprovou que ele também está associado ao surgimento de câncer de pele — diz a especialista.

Segundo a dermatologista Ana Carolina Sumam, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a luz visível tem um efeito acumulativo no organismo, trazendo ameaças de longo prazo ao maior órgão do corpo humano. Por isso, hidratar-se no verão é fundamental.

— Além de usar o protetor solar por 100% do tempo, é preciso hidratar a nossa pele com a ingestão de líquidos e uso de hidratantes. No verão, nossa pele e nosso cabelo também tendem a ficar bastante ressecados — diz a médica.

Os ambientes da casa e do trabalho oferecem outros riscos à saúde da pele. Segundo Nascimento, janelas e vidraças não são capazes de filtrar a radiação ultravioleta A (UVA), cuja ação na pele é mais profunda e também está associada ao câncer. Mais um motivo para não desgrudar do protetor solar durante o verão, diz ela.

A especialista alerta ainda para o uso excessivo de álcool gel sob o sol da estação, outro perigo para a pele ocasionado pela pandemia. A combinação entre álcool e calor pode ser muito arriscada, lembra ela. Uma paciente sua chegou a ter uma queimadura significativa após passar um pouco do produto na mão e em seguida ir cozinhar.

— O uso exacerbado do álcool na pele pode causar eczemas (irritações). É recomendável que se use direto na pele apenas o álcool gel, e não o álcool líquido. E que se aplique um pouco de hidratante no local após o uso do produto — alerta a médica.

O uso do protetor é indispensável, seja dentro ou fora de casa. O produto deve ter um fator de proteção solar (FPS) maior que 30 — se for menor, a proteção é insuficiente. Se estiver fora de casa, reaplique o protetor a cada três horas ou a cada mergulho, sem limpar a aplicação anterior. Se estiver em casa, basta aplicar uma vez de manhã e outra à tarde.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a distribuição de protetor solar pelo corpo deve ser feita da seguinte maneira: uma colher de chá para a região do rosto, cabeça e pescoço; uma colher de chá para cada braço; duas colheres de chá para o tronco e para as costas; e duas colheres de chá para cada perna. Não se esqueça de passar o protetor na orelha, onde são comuns casos de câncer de pele.

Se tiver de sair para trabalhar, passe o protetor solar em todo o rosto, mesmo nas regiões que ficarão cobertas pela máscara facial. A razão disso é que, ao contrário do que muita gente pensa, o item oferece proteção insuficiente. Segundo Mayara Nascimento, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a máscara tem um FPS de apenas 6, muito abaixo do mínimo para evitar o câncer de pele.

No verão, nossa pele também fica ressecada. Por isso, é necessário beber muito líquido, como água e sucos, além de usar hidratantes para a pele e para o cabelo. Também é recomendável o uso de produtos que contenham antioxidantes na composição, para combater o efeito oxidativo da radiação na pele. Não se esqueça de usar o protetor labial.

Existem no mercado produtos como hidratantes, cremes anti-idade e outros itens cosméticos que contêm fator de proteção solar. Se tiver condições, considere comprá-los. Embora não substituam o protetor solar, eles ajudam na garantia de saúde para a pele.