'Ver meus filhos, criados na Zona Sul, comendo rabada me inspirou', diz D2 sobre novo disco

Marcelo D2 é um cara de muitos amigos. Quando subir ao palco da Marina da Glória no próximo dia 29, para fechar a noite do Vibra Festival de Inverno Rio, após Ludmilla e Dilsinho, ele vai se lembrar de dois em especial, com quem já se apresentou por ali: Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz. E se o samba é o som e o Brasil é o lugar...

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— Aqui é minha área, vim do Andaraí e cresci entre Glória, Catete, Aterro do Flamengo e Lapa. São lugares que me trazem grandes memórias — diz D2, da esplanada da Marina da Glória, onde fará o show. — Fico feliz de estar participando deste festival. O inverno do Rio é diferente, quente, solar. A gente ficou tanto tempo sem tocar. Voltar e ver o sol parece que dá uma certa esperança.

No repertório, D2 promete incluir a inédita “Tambor de aço”, que estará no seu próximo álbum solo, com lançamento agendado para novembro, junto com um curta-metragem de ficção. A produção terá trechos das músicas novas e será dirigida por ele, a exemplo do longa “Amar é para os fortes”, lançado em 2018 com o disco homônimo e que vai virar série da Amazon Prime Video.

O novo trabalho, uma espécie de volume 2, faz parte de uma trilogia, inciada com “Assim tocam os meus tambores”, de 2020. O nome ele ainda não revela. Mas adianta que é um álbum de samba “com mais grave”, que tem como tema a ancestralidade. É inspirado na sua mãe, dona Paulete, falecida em fevereiro do ano passado. E nos seus filhos — Stephan, de 30 anos; Lourdes, de 22; Luca, de 20; Maria Joana, de 17; e Maria Isabel, de 11 meses.

— Ver os meus filhos, criados na Zona Sul, comendo rabada como eu, que sou do subúrbio, foi o que me inspirou a fazer esse disco — conta o hoje morador do Leblon, que está de mudança para a Gávea. — E uma das faixas tem a voz da minha mãe me ensinando a fazer feijão. Mas eu não aprendi (risos).

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Apesar de não ter feijão em seu repertório gastronômico, D2 é craque na cozinha (a moqueca de peixe é sua especialidade, revela Luiza Machado, mulher e sócia dele na produtora de conteúdo Pupila Diltada). E, para divulgar o álbum novo, pretende abrir um espaço físico no Catete, que servirá comida de terreiro e pratos como rabada (claro!) e feijoada. E que também terá exposição, discotecagem e rodas de samba.

Outro projeto saindo do forno, com lançamento previsto para setembro e participações de Criolo e Black Alien, é um disco de inéditas do Planet Hemp, o primeiro após 22 anos. Ele conta que este retorno é “por causa barbárie que estamos vivendo”:

— Tínhamos muita coisa para falar neste momento sombrio que o país está passando. Estes últimos quatro anos não foram fáceis. Parece que o pior da humanidade saiu do esgoto.

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Começando de novo com Maria Isabel (no maior estilo pai babão, que dá banho, troca fraldas e afins, entrega Luiza), D2 diz que “quer mostrar a ela o mundo de verdade, e não de plástico”:

— Agora sou um pai mais calmo, com mais tempo e a oportunidade de fazer melhor. Temos a missão de preparar uma mulher forte, cheia de compaixão e de amor ao próximo.

As atrações do Vibra Festival

Esta é a primeira vez que o Vibra Festival de Inverno Rio, criado em 2017, ocupa dois fins de semana e acontece em dois pontos turísticos ao mesmo tempo: enquanto atrações como Marcelo Falcão (sexta), Blitz, Barão Vermelho e George Israel (sábado) ocuparão o Morro da Urca, nomes como Pitty, Os Paralamas do Sucesso e Titãs (30 de julho) se apresentarão um dia depois de D2, Ludmilla e Dilsinho na Marina da Glória. Os ingressos custam a partir de R$ 120 (inteira).

— Agora, vamos atrair público para dois pontos turísticos do Rio por mais de uma semana. O verão é jogo ganho, a cidade está lotada. A ideia de um festival de inverno foi para fomentar o turismo numa estação em que o carioca tende a sair do Rio — explica Peck Mecenas, sócio-diretor da Peck Produções, realizadora do evento.

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O Barão Vermelho fará no Morro da Urca o show de encerramento da turnê “Barão pra sempre”. O vocalista Rodrigo Suricato conta que o repertório terá “surpresinhas”, músicas da nova turnê, “Barão 40”, em homenagem aos 40 anos da banda. O lançamento será acompanhado por um projeto audivisual programado para ir ao ar em agosto no Multishow, que teve participações de Chico César, Roberto Frejat e Samuel Rosa. O trabalho também vai para as plataformas digitais em forma de quatro EPs ao vivo.

— O “Barão 40” contempla todas as fases do grupo, blues, balada, sucessos. E traz ainda músicas do Cazuza como “Codinome beija- flor” e “Solidão que nada”, que nunca fizeram parte do repertório da banda — adianta Rodrigo, que também se prepara para lançar o disco “Marshmallow flor de sal” com a Suricato, após uma pausa de seis anos da banda.

George Israel levará para o palco o show instrumental que levantou o público no Festival Rock Brasil 40 anos. Com um saxofone em punho, ele estará acompanhado por Bianca Santos no trompete, Moyses no trombone, Andre Valle na guitarra, Odeid no baixo, Kadu Menezes na bateria e pelo filho Leo Israel nos teclados. No repertório, sucessos do Kid Abelha, como “Pintura íntima” e “Grand Hotel”; “Brasil”, que ele compôs com Cazuza e Nilo Romero; e “Fórmula do amor”, hit na voz de Leo Jaime.

— São músicas que permeiam a minha história de compositor e de músico. Vai ter performance com coreografia e tudo. É um show para dançar, mas a galera acaba se empolgando e vira um karaokê — conta George, que deverá lançar em agosto o single “Convida a tua sorte”, composto com o genro Pedro Botafogo e com a filha Cathy Israel, com quem divide o microfone.

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George também integra a programação de 1º a 4 de agosto, quando o festival oferecerá apenas performances instrumentais na Marina da Glória. Fazem ainda parte do line-up a Orquestra Sinfônica Petrobras, a Funk Orquestra, o maestro João Carlos Martins e Orquestra, Rodrigo Sha e Fernando Magalhães.

Casa Julieta de Serpa tem Bossa in Concert

Outro projeto que tem feito barulho pela região é o Bossa in Concert, do J Club, na Casa Julieta de Serpa, no Flamengo. Até outubro, sempre às quintas-feiras, às 21h, artistas como os cariocas Pedro Miranda e Roberta Spindel, a potiguar Juliana Linhares, o pernambucano Ayrton Montarroyos e a cantora trans gaúcha Valéria Barcellos farão shows intimistas na casa, com capacidade para 80 pessoas. Ingressos a R$ 100 (inteira).

— Dentro de uma casa tão linda quanto a Julieta de Serpa, achei importante ter essa mistura de idades, gêneros, cores e regiões do país — afirma o produtor cultural Hildo de Assis, curador do evento.

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No próximo dia 28, Sandra de Sá fará um show acústico, acompanhada por um violonista. Em 4 de agosto, Emanuelle Araújo lançará no J Club o disco “Quero viver sem grilo”, em homenagem a Jards Macalé, com participação especial do artista.

— O show desse álbum que gravei em homenagem a Jards Macalé em Nova York é muito importante para mim. Estarei na Julieta de Serpa com a grande participação do professor Jards Macaé, unindo a emoção de apresentar pela primeira vez esse trabalho no palco com a de dividir o palco com o meu muso inspirador — resume Emanuelle.

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