Vera Magalhães: Paes testa força de evitar que polarização nacional se repita no Rio

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Eduardo Paes (PSD) fez nos últimos dias dois movimentos não lineares: apoiou o ex-presidente Lula para presidente, mas, na disputa pelo governo do Rio, decidiu testar sua força ao apostar numa candidatura alternativa à repetição local da polarização nacional.

Paes, assim, tenta reforçar suas credenciais antibolsonaristas, descartando a possibilidade alimentada por apoiadores do governador e pré-candidato à reeleição Cláudio Castro de uma aliança em que o PSD indicasse o vice na chapa do PL.

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O prefeito costumava se irritar com as análises segundo as quais sua recusa em aderir à candidatura de Marcelo Freixo — que trocou o PSOL pelo PSB numa tentativa de atrair o eleitorado de centro e conta com o aval de nomes de peso do meio artístico e até de economistas liberais — significaria um apoio tácito a Castro.

Como o governador assumiu após o impeachment de Wilson Witzel, não pode ser candidato a mais um mandato em 2026. Ou seja: não seria uma pedra no caminho da candidatura do próprio Paes ao governo.

A quem faz essa leitura, Paes aponta a grande rejeição de Freixo, que faria dele um candidato para perder para qualquer adversário no segundo turno, como razão pela qual não se vê obrigado a chancelar sua candidatura no primeiro turno. Mas deixa uma brecha para um apoio no segundo turno caso se confirme o plebiscito Lula x Bolsonaro na disputa local.

O que a pesquisa Quaest no Rio mostra é que, por ora, Paes faz uma aposta de risco. Rodrigo Neves, agora apoiado pelo PSD, vai a 9% no cenário sem Felipe Santa Cruz. Bem abaixo de Castro e Freixo, que aparecem em empate técnico na liderança, com 26% e 25% neste recorte, respectivamente.

Diferentemente do pleito presidencial, que tem uma grande cristalização de votos entre dois candidatos plenamente conhecidos, no Rio ainda há um grande contingente de indecisos e de eleitores que admitem mudar o voto que declaram.

Essas circunstâncias incentivaram a leitura de Paes de que, no Rio, uma terceira via de fato turbinada politicamente, e não abandonada pelos partidos, como vem acontecendo no Brasil com Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), pode emplacar, dada a rejeição altíssima de Freixo (41% não votariam nele em nenhuma hipótese) e o ainda alto grau de desconhecimento do governador.

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Castro tem uma boa largada diante dessa circunstância de ter pego o “bonde andando”: seu governo tem uma avaliação em que predomina o “regular” (35%) e ele lidera as pesquisas em quase todos os segmentos, com calcanhares de Aquiles na capital e entre as mulheres.

É na relação com Bolsonaro que parece residir sua grande hesitação: a grande rejeição do presidente “em casa” (59% dizem que ele não merece ser reeleito, e 45% avaliam seu governo como ruim ou péssimo) tem feito Castro tentar se descolar do bolsonarismo.

Tarefa difícil sendo do mesmo partido do presidente e tendo uma relação próxima com a família. E estratégia que ele pode rever a partir de agora caso a PEC que vai dar ao presidente R$ 41 bilhões para tentar melhorar sua situação nas pesquisas surta efeito.

Freixo aproveitou o vento a favor de Lula no último mês e colheu os frutos da aparição mais sistemática ao lado do petista: os dois cresceram na mesma proporção.

Enfrenta, agora, dois obstáculos: o movimento de Paes, que tem potencial de atingir sua candidatura mais que a de Castro, e a disputa entre PSB e PT pela candidatura ao Senado.

Nesse quesito, a pesquisa Quaest reforça o pleito do deputado Alessandro Molon, que aparece com 11% ante 5% do deputado estadual petista André Siciliano. Ainda assim, nada indica que o PT recuará da exigência de ter o candidato ao Senado em contrapartida do apoio a Freixo, o que pode suscitar uma intervenção nacional da cúpula da aliança para arbitrar o impasse.

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