Verba para recuperação do Museu Nacional ainda não foi alcançada, três anos após incêndio

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RIO - Três anos após o incêndio do Museu Nacional, a direção da instituição e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — responsável pelo espaço — ainda lutam para alcançar a verba necessária para a restauração do Palácio de São Cristóvão, cuja reabertura agora está prevista para 2026. Hoje, na data em que se completam 36 meses da tragédia, será anunciado um pacote com novidades, com prazos, ações e financiamentos, numa cerimônia virtual. Até aqui, já foram arrecadados 65% do custo, estimado em R$ 380 milhões, para a recuperação de todo o museu. A universidade negocia o recebimento de novos repasses e doações em meio à falta de investimentos diretos do Ministério da Educação (MEC).

Ainda este ano, as fachadas e o telhado do bloco 1 — o maior e mais importante do palácio — começam a ser restaurados, um trabalho previsto para ficar pronto no fim do ano que vem. Apesar das dificuldades orçamentárias, agravadas também pela inflação dos preços dos metais usados em obras, a expectativa é que o centenário do museu, em 2022, tenha comemorações já em espaços externos do museu com a presença do público.

Desde 2018, o Museu Nacional recebeu R$ 244,8 milhões em doações do Bradesco, do BNDES e da Vale — os três principais doadores privados, via Lei Rouanet —, além do MEC, que aportou cerca de R$ 18 milhões para intervenções emergenciais logo após o incêndio, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e de emendas parlamentares. Segundo Alexandre Kellner, diretor do Museu Nacional, há conversas para que a bancada dos deputados federais do Rio faça uma nova emenda parlamentar de R$ 56 milhões.

Depois dos investimentos para as obras estruturais de segurança, o governo federal não fez mais repasses diretos para a recuperação do museu, e atualmente não há uma dotação orçamentária específica por parte do MEC. A informação foi confirmada pela reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho. O orçamento da universidade tampouco é suficiente para esses investimentos. A penúria das universidades federais vem sendo denunciada há meses pelos reitores do país.

— Não temos recursos discricionários suficientes sequer para fechar este ano os pagamentos de água, luz, limpeza e segurança — lamentou a reitora.

Num evento marcado para a manhã de hoje, será lançada uma campanha nacional e internacional para a recomposição do acervo do museu, além da apresentação de alguns dos novos itens recentemente doados para as futuras exposições. Em março do ano passado, pouco antes da paralisação das atividades no país devido à pandemia, a UFRJ anunciou um aporte financeiro em acordo com a Unesco e com a Fundação Vale e um cronograma até a abertura definitiva do museu, marcada para 2025. Denise Pires, porém, afirmou ontem que a data precisou ser revista, em função da Covid-19, e a previsão de reabertura agora é 2026.

Segundo o professor de antropologia e presidente da Associação Amigos do Museu Nacional (Samn), Luiz Fernando Duarte, outra dificuldade grande para o cumprimento de prazos é lidar com a alta dos preços dos metais usados nas obras, em especial do aço e do alumínio, que em alguns casos chegou a 60% de aumento após a assinatura de contratos, gerenciados pela Samn.

— Isso exige remanejamentos de recursos e de acordos, e nem sempre há verba disponível — explicou Duarte, que negocia nova doação junto à Fundação Anita Mantuano de Artes do Rio (Funarj) e a Alerj.

Divisão em quatro blocos

O projeto de reforma dividiu o palácio em quatro blocos. O primeiro, da frente, teve seu restauro contratado, e começa este ano. As obras nos outros três setores ainda estão em fase de projetos, elaborados pelo escritório técnico da UFRJ, e só devem ser entregues no ano que vem. Já foi construído um prédio para o setor administrativo do novo campus de ensino e pesquisa, onde foram instalados contêineres para receber as peças recuperadas do incêndio. Uma obra em curso é a da nova biblioteca central, prevista para terminar em fevereiro do ano que vem.

— Há um trabalho intenso em curso para montar as futuras exposições. São projetos arquitetônico, museográfico (formato de exposição) e museológico (conceito e curadoria das exposições) — explicou Duarte.

Sobre as ações especiais do centenário, está sendo discutida a possibilidade de um show de luzes na fachada do palácio. Outra ideia é a abertura do Jardim das Princesas, espaço externo a que o público não tinha acesso antes do incêndio, mas que passa por intervenções custeadas pela Unesco.

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