A verdadeira história sobre as cidades perdidas da Amazônia

Como um rastilho de pólvora, a história de uma suposta cidade perdida na Amazônia se espalhou pelas redes sociais. Para arqueólogos e especialistas, a teoria sobre uma civilização teria construído 'capital do mundo' na Amazônia e teria habitado a região da floresta há mais de 450 milhões de anos não passa de um delírio e um boato. Para se ter ideia, nem os dinossauros existiam há 450 milhões de anos. Nossos ancestrais mais antigos viveram há mais ou menos 6 milhões de anos. Mas a nossa espécie mesmo, o Homo sapiens sapiens, surgiu há 350 mil anos na África. Além disso, de acordo com as postagens, a cidade seria "maior que a Grande São Paulo", era "a capital do mundo" e "esconderia muita riqueza, como esculturas de ouro e tecnologias avançadas de nossos ancestrais". O que, segundo especialistas, não faz o menor sentido. A origem da teoria de "Ratanabá" está em uma série de publicações nas redes por um grupo fundado por Urandir Fernandes de Oliveira. Ele já teve o nome associado a outras teorias que acabaram por virar piada e meme, como o caso do ET Bilu. O ex-secretário Mario Frias publicou em redes sociais que recebeu Urandir em seu gabinete quando ainda era secretário da Cultura para a divulgação da teoria falsa de uma cidade no Norte do país denominada de "Ratanabá". Pesquisas arqueológicas verdadeiras e recentes mostram que a Amazônia pré-colombiana abrigou assentamentos indígenas dotados de certo grau de complexidade, a ponto de serem classificados como urbanos por alguns arqueólogos, embora não fossem exatamente cidades como conhecemos hoje. No Ao Ponto desta sexta-feira, Eduardo Goés Neves, professor do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do Museu de Arqueologia e Etnologia da mesma instituição, explica qual é a verdade sobre a história dos habitantes e povos originários da Amazônia, comenta os trabalhos científicos mais recentes sobre a história do local e revela que tipo de tecnologia foi desenvolvida pelos povos originários que realmente viveram ali.

Publicado de segunda a sexta-feira, às 6h, nas principais plataformas de podcast e no site do GLOBO, o Ao Ponto é apresentado pelos jornalistas Carolina Morand e Roberto Maltchik, sempre abordando acontecimentos relevantes da atualidade. O episódio também pode ser ouvido na página de Podcasts do GLOBO. Você pode seguir a gente em plataformas como Spotify, iTunes, Deezer e também na Globoplay.

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