Vereador que fez declaração racista em SP é investigado por suposto enriquecimento ilícito

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 05.10.2016: Vereador Camilo Cristófaro. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 05.10.2016: Vereador Camilo Cristófaro. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Alvo de processo de cassação na Câmara Municipal de São Paulo após ter utilizado frase racista durante sessão no começo do mês, o vereador Camilo Cristófaro (Avante) está sendo investigado por suposto enriquecimento ilícito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.

Segundo a peça do MPSP, fundamentada em relatório de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Cristófaro efetuou transações financeiras entre janeiro e setembro de 2020 no valor de R$ 730 mil, cifra que pode revelar evolução patrimonial incompatível com sua renda.

Cristófaro comprou um veículo por R$ 175 mil e pagou em espécie e fez seguidas transferências de R$ 15 mil para uma funcionária de seu gabinete, Flávia Sanches, diz a investigação. No começo da semana, o MPSP solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de ambos.

Em nota, Cristófaro afirma que aguarda com serenidade a intimação para prestar depoimento, pois seu patrimônio tem origem lícita, fruto de seu trabalho e de herança deixada pelos pais.

"Na condição de homem público, desde o início da investigação [Cristófaro] vem acompanhando e colaborando com as autoridades, na medida em que encara com naturalidade que aquele que tem vida pública, deve prestar todos os esclarecimentos as autoridades constituídas", diz o texto.

Flávia Sanches diz que Cristófaro transferiu valores para ela após ter utilizado seu cartão de crédito, pois o dele estava com problemas. Sobre o carro pago em espécie, diz que nunca teve relação com ele e que se tratava de uma van, comprada em nome do vereador, usada por ele e já vendida.

Ela afirma que já prestou seu depoimento na delegacia.

Cristófaro utilizou uma expressão preconceituosa ("não lavaram a calçada, é coisa de preto") durante uma sessão no começo do mês e desde então sua cassação tem sido discutida na Câmara Municipal. Na terça (24), o plenário da Casa deu aval à abertura do processo.

Isolado na Câmara, o vereador do Avante lida com a forte pressão da opinião pública. Centenas de pessoas se aglomeraram em frente ao prédio da Câmara e diante de um caminhão de som durante a votação de terça.

O público gritava palavras de ordem contra o racismo e pedia a cassação. Parte da multidão vestia camisas e exibia cartazes contrários ao parlamentar.

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