Vereadora de Niterói acusa bolsonarista de preconceito racial e religioso

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NITERÓI— A vereadora Benny Briolly (PSOL) afirma que sofreu preconceito racial e religioso após levar um grupo de crianças do Núcleo Avançado de Educação Infantil Angela Fernandes para apresentação da artista pernambucana Lia de Itamaracá, em São Domingos, no dia 10 deste mês. O evento fez parte do evento cultural “Festival das Encruzilhadas”, promovido pelo coletivo Quilombo Xica Manicongo.

O festival que exaltava a herança afrodescendente na cultura e na religião, não demorou muito para ser atacada. O vereador bolsonarista do PTC, Douglas Gomes, correu para associar o encontro a uma tentativa de “levar as crianças ao terreiro", numa nítida tentativa de ligar o rito religioso do Candomblé e da Umbanda no Brasil ao evento. Todas as crianças estavam autorizadas legalmente pelos responsáveis para comparecer à festividade.

Em nota divulgada pelo mandato, a parlamentar destaca que a visita realizada contou com apoio da Coordenação da Educação na Diferença, da Fundação Municipal de Educação. O órgão também disponibilizou o transporte para o deslocamento dos alunos.

Para Benny, apesar de existir há mais de 10 anos, a lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana nas escolas das redes públicas e privadas do país, ainda não é verdadeiramente aplicada na grade curricular das escolas. No entanto, o Núcleo Avançado de Educação Infantil Angela Fernandes é referência na aplicação dessa lei tão importante em nossa cidade.

—Tivemos a oportunidade de receber Lia de Itamaracá diretamente do nordeste para receber seu título de cidadã niteroiense. E foi lindo ver a alegria das alunas e alunos do NAEI Angela Fernandes. Mas citam o acontecimento como se eu não pudesse dar a mão para crianças por ser uma travesti preta macumbeira. Sou uma mulher de axé e que cultiva ancestralidade da linhagem da minha família. Mas para além disso, a política precisa ser para fora. A ideia era efetivar a prática da lei 10.639, que obriga o ensino da história da África, cultura afro-brasileira e indigena, em nossa cidade. Era isso que estava acontecendo no quilombo. É inaceitável tanto racismo e transfobia! Não admito que ataquem minha fé!— lamenta.

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