Vereadora relata arma apontada para cabeça dela e de assessores em abordagem da PM no RJ; todos são negros

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Segundo Tainá, ela e os assessores voltavam da Câmara do Rio para casa em um carro blindado quando uma moto não identificada passou a andar muito próxima do carro, piscando a seta (Foto: Reprodução/Twitter)
Segundo Tainá, ela e os assessores voltavam da Câmara do Rio para casa em um carro blindado quando uma moto não identificada passou a andar muito próxima do carro, piscando a seta (Foto: Reprodução/Twitter)
  • Na noite desta quinta-feira (27), a vereadora Tainá de Paula (PT-RJ) voltava para casa em um carro blindado com o motorista e dois assessores quando foi abordada por policias militares do Rio de Janeiro

  • O caso aconteceu no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio, a menos de um quilômetro do local do atentado contra a vereadora Marielle Franco, assassinada brutalmente em 2018

  • Segundo Tainá, ela está preparando uma notificação, por meio de seu mandato na Câmara, ao comando da PM

Na noite desta quinta-feira (27), a vereadora Tainá de Paula (PT-RJ) voltava para casa em um carro blindado com o motorista e dois assessores quando foi abordada por policias militares do Rio de Janeiro, que estavam em motos. Segundo ela, os PMs apontaram armas para cabeça dela e dos colegas — todos são negros.

"Não é possível que pessoas negras num carro blindado possa causar tanta estranheza", disse Tainá. "Eles saem da moto e começam a mirar com os revólveres nas nossas cabeças. Pediam para sair rápido do carro, de uma forma belicosa e nos xingando".

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O caso aconteceu no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio, a menos de um quilômetro do local do atentado contra a vereadora Marielle Franco, assassinada brutalmente em 2018. 

Segundo Tainá, ela e os assessores voltavam da Câmara do Rio para casa em um carro blindado quando uma moto não identificada passou a andar muito próxima do carro, piscando a seta. 

Como não se identificaram, o motorista da vereadora não se preocupou em parar o veículo. No entanto, alguns metros depois, o carro foi cercado por quatro motos da polícia. A blindagem, segundo ela, impede que as janelas de trás sejam abertas.

"Meus assessores falam que eu sou vereadora, eles dizem que não conhecem Tainá de Paula e pedem para sair com a mão na cabeça e começam a revistar o porta-mala".

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De acordo com a vereadora, a proximidade do local onde Marielle foi assassinada a deixou muito abalada

"É muito dura a realidade do Rio", disse. "Tem um tom de racismo estrutural grave nesse país e a violência foi banalizada. Espero que essas coisas não aconteçam mais".

PM diz que aguarda ser notificada

Segundo Tainá, ela está preparando uma notificação, por meio de seu mandato na Câmara, ao comando da Polícia Militar.

Questionada, a PM do Rio não respondeu a reportagem do Yahoo! Notícias até a publicação. Mas, ao G1, informou que vai aguardar ser notificada para apurar o caso. 

"Diante da comunicação oficial, o comando da Corporação irá apurar as circunstâncias do fato", disse.