Vereadora do Rio relata abordagem policial 'aos berros' e com armas empunhadas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A vereadora Tainá de Paula (PT-RJ), 38, acusa a Polícia Militar do Rio de Janeiro de ter feito uma abordagem truculenta contra ela e assessores na noite desta quinta-feira (27). Ela relatou que foi parada por policiais em quatro motocicletas, com armas empunhadas e aos berros, pouco depois de ter saído da Câmara Municipal.

Ao lado dos assessores, a parlamentar estava em um carro blindado no Rio Comprido, bairro da região central do Rio. "Berros de mão na cabeça, somos conduzidos coercitivamente para fora do carro. Meus assessores avisam que sou vereadora e mesmo com todos em choque, berros e ameaças", contou em uma publicação nas redes sociais.

A assessoria de Tainá disse que será decidido nesta sexta-feira (28), com calma, quais providências serão tomadas em relação ao que aconteceu. A Polícia Militar ainda não se pronunciou.

"Não é possível que pessoas negras em um carro blindado possam causar tamanha estranheza", a vereadora disse. "A PM é um desastre anunciado".

Vários políticos prestaram solidariedade à parlamentar após o relato.

"É inadmissível essa abordagem violenta apenas por serem pessoas negras em um carro. Esse é o retrato do racismo estrutural", afirmou a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ).

"É triste essa constatação diária do racismo estrutural no nosso país", disse o vereador Lindbergh Farias (PT-RJ).

"Lamentável que isso tenha acontecido com você, Tainá. Espero que você e seus assessores fiquem bem e possam seguir sendo vozes em prol da democracia e do bem estar da nossa sociedade, combatendo, inclusive o racismo das instituições", disse o vereador Paulo Pinheiro (PSOL-RJ).

"É lamentável e inadmissível que esses episódios de racismo continuem acontecendo", escreveu o vereador Reimont Otoni (PT-RJ).

A petista está em seu primeiro mandato na Câmara Municipal. Ela é arquiteta e urbanista e co-presidente licenciada do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) no Rio.

No dia 13 de maio, um ato contra o racismo e a violência policial contra pessoas negras marcou as manifestações realizadas no Rio. Com pedidos pelo fim da Polícia Militar e palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador Cláudio Castro (PSC), manifestantes percorreram o trajeto de aproximadamente um quilômetro entre a Igreja da Candelária e a Cinelândia, no centro.

Organizado pela Coalizão Negra por Direitos, movimento que reúne cerca de 200 organizações do movimento negro em todo o país, o ato foi marcado pelo depoimento de mães de vítimas de ações policiais em favelas cariocas. Houve protestos em várias outras capitais do país, entre elas São Paulo.