Vereadoras em SC podem ser cassadas por denunciar saudação nazista em ato golpista

Vereadoras podem ser cassadas por denúncia de saudação nazista - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Vereadoras podem ser cassadas por denúncia de saudação nazista - Foto: Reprodução/Redes Sociais
  • Vereadoras de SC podem ser cassadas por terem denunciado ato golpista

  • Elas estão sendo perseguidas após apontarem apologia ao nazismo durante manifestação

  • A denúncia veio depois do vídeo de milhares de bolsonaristas cantando o hino com o braço estendido

Duas vereadoras de Santa Catarina estão sendo perseguidas, ameaçadas e viraram alvos de pedidos de cassação depois de denunciarem uma manifestação golpista em São Miguel do Oeste por apologia ao nazismo.

O ato protagonizado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) aconteceu na semana passada e repercutiu nas redes sociais, após manifestantes se posicionarem com o braço esticado para frente enquanto ouviam o Hino Nacional, em gesto semelhante ao utilizado em saudações nazistas.

A vereadora Maria Tereza Capra, presidente do PT na cidade, e Giovanna Mondardo, do PCdoB de Criciúma, manifestaram-se contra o ocorrido e passaram a ser perseguidas.

Maria Tereza teve um pedido de cassação contra si formalizado por um advogado, que a acusou de caluniar e difamar a população de São Miguel do Oeste. Giovanna também foi alvo de pedido de cassação, por "dar visibilidade negativa e ofensiva" aos manifestantes do estado de Santa Catarina.

A repercussão negativa do episódio fez com que o Ministério Público do estado (MPSC) abrisse investigação, mas, somente um dia depois, o órgão considerou que não houve manifestação nazista.

O inquérito avaliou que os participantes foram influenciados pelos organizadores a esticar o braço para emanar "energias positivas" durante a execução do hino.

A polêmica conclusão revoltou um grupo de advogados, que pediu que o episódio seja investigado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Perseguição e ameaças

As vereadoras responsáveis pelas denúncias também têm sofrido com perseguições. Maria Tereza foi alvo de ameaças de morte e de agressões, além de ofendida, nas redes sociais.

A política também encontrou uma mensagem ofensiva contra ela no próprio veículo na quinta-feira passada (3). Ela levou o material à polícia, registrou boletim de ocorrência e, temerosa, deixou a cidade.

“Está bem difícil. Meu maior medo é essa perseguição e cassarem o meu mandato. As pessoas estão me pintando como inimiga da cidade, como se eu tivesse sujado a imagem do município. Eu temo que aconteça alguma coisa comigo e com meus filhos”, disse à Revista Veja.