Vereadores negros de Niterói buscam minimizar desigualdades da população afrodescendente

De acordo com o IBGE, 35% da população de Niterói é composta de negros e pardos. Proporcionalmente, essa porcentagem está abaixo do que é registrado no Brasil e na Região Metropolitana do Rio, respectivamente 54% e 52%. Na casa legislativa da cidade, essa equação é ainda mais desigual. Dos 21 vereadores eleitos no último pleito, apenas três representam nas pautas e na pele os interesses dos 180 mil habitantes afrodescendentes da cidade: Verônica Lima (PT), Benny Briolly (PSOL) e Jhonatan Anjos (PDT).

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E nesta edição, a série publicada pelo GLOBO-Niterói que procura mostrar as iniciativas de combate ao racismo, às vésperas do Dia da Consciência Negra, destaca como o trabalho parlamentar busca, por meio das políticas públicas, minimizar a histórica desigualdade entre brancos e negros.

A primeira vereadora negra eleita na cidade foi Verônica Lima, em 2012. Há três mandatos seguidos na casa, ela destaca medidas como o Estatuto Municipal de Igualdade Racial, que garantiu a reserva de 20% das vagas em concursos públicos da cidade para negros; e a Semana da Cultura Negra, que anualmente celebra o 20 de novembro com o Festival Zumbi.

— Quando olho para trás e vejo o quanto realizamos em termos de leis e projetos, fico extremamente orgulhosa. A defesa do povo negro, dos negros e das negras que constroem este país, é uma das bandeiras fundamentais da minha atuação parlamentar. A agenda antirracista, em conexão com a feminista, é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa com dignidade e oportunidades iguais para todos e todas — enfatiza.

Para a vereadora Benny Briolly, não há luta antirracista sem que as casas legislativas sejam representadas diretamente por mulheres e homens negros.

— Assim como em todo o Ocidente, as pessoas pretas compõem a base das sociedades, e no Brasil não seria diferente. Enquanto uma de nossas ações primordiais, cabe ressaltar o projeto de lei que proíbe o uso da tecnologia do reconhecimento facial. No âmbito da habitação, garantimos o orçamento de R$ 500 mil para moradias populares. Pessoas pretas e pobres são historicamente empurradas para regiões periféricas. Tenho muito orgulho de ter alterado o nome da escola que homenageava um escravocrata português. Agora se chama Professora Maria Felisberta Baptista da Trindade, importante educadora em nosso município — destaca.

Filho de pai negro com mãe branca, ele pedreiro, ela doméstica, Jhonatan Anjos levou para o Legislativo a vivência de quem cresceu na Vila Ipiranga, no Fonseca.

— Por vezes me pergunto o que me fez chegar aqui, hoje, e ocupar um mandato legislativo e não encontro outra resposta senão as experiências da vida e o incentivo dos meus pais. As leis que tenho pautado espelham as bandeiras e a caminhada de vida feita por mim até aqui. Elas asseguram a equiparação de direitos aos alunos da rede municipal e priorizam vagas em creches e escolas para crianças vítimas ou filhas de vítimas de violência doméstica. A Lei da Aprendizagem, dentre as vagas de aprendiz, prevê cota para negros e pardos em condição de vulnerabilidade — afirma o vereador.

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