#Verificamos: É falso que China só usará ‘vacina da Suécia’ contra Covid-19 em seus habitantes

Agência Lupa
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(Foto: Reprodução)
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por Italo Rômany

Circula nas redes sociais a informação de que o governo chinês está comprando a vacina desenvolvida pela empresa biofarmacêutica AstraZeneca contra a Covid-19 para aplicar nos moradores locais. Segundo o post, o país teria optado por esse caminho em vez de administrar os imunizantes desenvolvidos na própria China, a exemplo da CoronaVac. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

(Foto: Reprodução)
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“China compra vacina da Suécia para vacinar os chineses e vacina produzida na China vende pra São Paulo? Tem algo errado aí”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 14h do dia 26 de outubro de 2020, tinha mais de 580 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O post erra ao dizer que o governo chinês preferiu usar a vacina da farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca ao invés daquelas que estão sendo produzidas na própria China. Na verdade, um acordo feito pelo laboratório privado chinês Shenzhen Kangtai, em 6 de agosto, prevê a produção de ao menos 100 milhões de doses experimentais da vacina da AstraZeneca, desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade de Oxford. Entretanto, imunizantes desenvolvidos no território chinês estão sendo testados e aplicados também no próprio país, como o da Sinovac. Além disso, não há, até o presente momento, uma vacina eficaz contra a Covid-19.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há pelo menos quatro vacinas chinesas na fase três dos ensaios clínicos – última etapa do desenvolvimento –, sendo testadas em humanos, entre elas a da farmacêutica Sinovac, que desenvolve o imunizante em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo. O próprio governo chinês espera que a primeira vacina contra a Covid-19 já esteja pronta em novembro. Além da Sinovac, as empresas CanSino Biologics e Sinopharm (desenvolvidas com os Institutos de Wuhan e Pequim) também já testam seus imunizantes em humanos.

À TV estatal CCTV, o governo chinês afirmou em agosto que vem aplicando de forma emergencial imunizantes produzidos por companhias chinesas desde 22 de julho, em pessoas de alto risco e trabalhadores da área de saúde, por exemplo.

É importante salientar que a parceria com a AstraZeneca não é a única na China. Há, por exemplo, um acordo com a empresa alemã BioNTech e a norte-americana Pfizer, juntamente com a farmacêutica chinesa Fosun Pharma, para a produção de 10 milhões de doses para combater a Covid-19 em Hong Kong.

Resultados de testes

Segundo a farmacêutica chinesa Sinovac, resultados com 50.027 voluntários na China demonstraram que a vacina CoronaVac não apresentou reações adversas significativas na terceira fase de testes. Desse total, somente 5,36% sentiram efeitos adversos de grau baixo, como dor no local da aplicação, febre moderada e perda de apetite. Essas pessoas receberam as doses sem participar da fase 3 dos testes da CoronaVac, mas fazendo uso emergencial da imunização – o procedimento foi autorizado pelo governo da China.

No Brasil, o governo do Estado de São Paulo divulgou, em 19 de outubro, que os estudos clínicos feitos com 9 mil voluntários no país mostraram que 35% tiveram reações adversas leves após a aplicação da vacina CoronaVac, como dor no local da aplicação ou dor de cabeça. Não há nenhum relato de reação adversa grave à vacina até o momento, diz o governo.

Informação similar foi checada por Aos Fatos, Comprova e Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.