#Verificamos: É falso que Ciro Gomes deixou de ser ministro da Fazenda ‘por incompetência’

por Maurício Moraes

Circula pelas redes sociais uma montagem que mostra uma foto do ex-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) acompanhada de um texto com o período em que ele foi ministro da Fazenda, no governo de Itamar Franco (PMDB). Ciro comandou a pasta de 6 de setembro de 1994 a 1º de janeiro de 1995. Uma legenda “informa” que ele teve que deixar o cargo “por ser incompetente”. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Sabe quem foi tirado do ministério depois de quatro meses por ser incompetente (…)? Ele mesmo, o Tiro Nomes [Ciro Gomes]”
Trecho de post que, até as 15 horas do dia 17 de abril de 2019, havia sido compartilhado mais de 1,5 mil vezes pelo Facebook

FALSO

A informação verificada pela Lupa é falsa. Ciro Gomes não foi tirado do cargo de ministro da Fazenda por ser incompetente. Chamado às pressas para ocupar o lugar de Rubens Ricupero – que havia renunciado depois do vazamento de um áudio com um repórter, no que ficou conhecido como o escândalo da parabólica –, ele só saiu da pasta quando o governo de Itamar Franco terminou, no final de 1994. Ciro foi convidado para assumir outro ministério no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas preferiu não aceitar..

No primeiro capítulo do livro Diários da Presidência – Volume 1: 1995-1996 (Companhia das Letras, 2015), Cardoso narra como foi a montagem do seu ministério. Ao contar sobre as articulações políticas da época, diz ter chamado Ciro para fazer parte da equipe. “Convidei o Ciro. Porque sou devedor, e o Brasil também, a ele, pela maneira como substituiu de imediato o Rubens Ricupero no Ministério da Fazenda, quando comentários feitos em off no intervalo de uma entrevista à televisão foram captados pelas parabólicas”, escreveu. “Esse episódio poderia ter causado um dano enorme à credibilidade da política econômica se não tivéssemos tomado uma decisão rápida.”

Naquele ano havia sido implementado o Plano Real. Segundo Cardoso, Ciro não queria inicialmente chefiar a pasta. “Temia que o passo pudesse ser mais largo do que a perna, temia as consequências do seu estilo, temia não controlar a inflação e tinha razões nesse temor”, disse. “Foi o Itamar quem sugeriu seu nome, e eu concordei. Eu tinha sugerido o Bacha ou o Malan, ideias antigas minhas, mas vi que o Itamar se sentia mais confortável com o Ciro. Endossei prontamente e fiz muito empenho para que ele aceitasse.”

O ex-presidente explica então que não pensou em mantê-lo no ministério da Fazenda, mas em outra pasta, porque desejava que continuasse no governo. “E queria mesmo, porque ele tem uma porção de qualidades que podiam ser úteis. Até que o Ciro me disse um sonoro ‘não’ com bastante firmeza, e eu o felicitei, porque acho que o mais adequado para ele, que é muito moço, é passar um tempo em Harvard”, escreveu.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.