#Verificamos: É falso que coronavírus infectou 2,8 milhões e matou 112 mil na China

(Foto: Reprodução)

por Equipe Lupa

Circula pelas redes sociais a informação de que as autoridades chinesas têm escondido dados sobre o total de infectados pelo novo coronavírus (2019-nCoV). O vírus surgiu na cidade de Wuhan, em dezembro. Segundo o post, o país asiático mantém 30 milhões de pessoas em quarentena. Haveria também 2,8 milhões de infectados e 112 mil mortos. A fonte dos números seria o programa de rádio de Hal Turner, um radialista e blogueiro norte-americano que diz ter trabalhado por 15 anos no FBI. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

(Foto: Reprodução)

“*** A VERDADE QUE A CHINA ESCONDE:

(Edição e tradução do link de Sandra Valeria)

Coronavírus na China: mais de 30 milhões em quarentena, 2,8 milhões infectados; 112.000 MORTOS ! Pessoas caindo mortas pelas ruas e trens ! Supermercados sem mantimentos !

– Programa de rádio de Hal Turner“

Texto em post no Facebook que, até as 15h de 27 de janeiro de 2020, tinha 896 compartilhamentos

FALSO

A informação é falsa e foi desmentida no dia 24 de janeiro de 2020 pela plataforma Lead Stories, dos Estados Unidos. O site integra a coalizão formada para verificar notícias e frases sobre o novo coronavírus criada pela International Fact-Checking Network (IFCN). A Lupa, que faz parte desse esforço de cooperação internacional, analisou recentemente uma peça de desinformação que acusava falsamente a indústria farmacêutica de provocar a doença com o objetivo de vender vacinas.

De acordo com o Lead Stories, o post sobre a suposta explosão no número de infectados e mortos na China teve origem em um texto publicado no site do programa de rádio de Hal Turner, que citava esses números. Nenhuma fonte oficial, no entanto, confirmou os dados. Até esta segunda-feira (27), o total de mortos havia chegado a 81 pessoas e o número de infectados somou 2.840 casos confirmados, segundo o jornal estatal Global Times. A Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou a classificação de risco do 2019-nCoV para elevado nesta segunda-feira (27).

O texto do post diz que a fonte dos números citados no site do Hal Turner Radio Show seriam pessoas da comunidade de inteligência dos Estados Unidos que ficaram amigas do âncora nos 15 anos em que ele trabalhou no FBI. Só que Turner nunca foi funcionário do órgão e atuou apenas como informante, pago para falar sobre grupos supremacistas brancos. O ex-agente especial supervisor do FBI Steve Moore disse ao Lead Stories que informantes, pagos ou não, jamais podiam se apresentar como funcionários ou representantes do órgão.

Segundo o Southern Poverty Law Center, uma organização não-governamental que atua contra o discurso de ódio e defende os direitos humanos, o radialista trabalhou nessas condições apenas durante quatro anos, entre 2003 e 2007. Isso foi confirmado pelo próprio advogado de Turner, em reportagem publicada pela revista de tecnologia Wired em 2009.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.