#Verificamos: Não existe laudo mostrando que piloto de Eduardo Campos foi envenenado

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

por Nathália Afonso

Circula pelas redes sociais que o piloto que conduzia o avião que caiu e matou o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi envenenado. Então candidato à presidência da República, Campos morreu em um acidente aéreo em 2014. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da ​Lupa​:

Reprodução

“URGENTE: Laudo mostra que piloto de Eduardo Campos foi envenenado. Foi divulgado o resultado do laudo dos exames toxicológico e histopatológico. Mais uma na conta do PT e do Lula”
Publicação no Twitter que, até às 20h do dia 28 de outubro de 2019, tinha sido retuitada por mais de 2,3 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a informação não procede. Em fevereiro de 2019, o órgão arquivou o inquérito que investigava a queda do avião que matou o então candidato Eduardo Campos e outras cinco pessoas em 2014, na cidade de Santos. Segundo o MP-SP não foi possível determinar a causa exata do acontecimento, já que a cabine de comando do avião não contava com equipamentos ou estes estavam inoperantes.

No ano passado, a Polícia Federal concluiu em seu inquérito que a queda poderia ter ocorrido por quatro motivos: colisão com um elemento externo, desorientação espacial, falha de profundor e falha de compensador de profundor.

O boato de que o piloto teria sido envenenado é antigo e já circula desde 2017, quando foi verificado pelo site Boatos.org. Ele voltou a circular em abril desse ano, tendo sido desmentido também pelo Estadão Verifica. Em 25 de outubro, um perfil identificado como Pavão Misterioso republicou essa mesma história falsa, com link para um site chamado presidentebolsonaro.com.

Esta publicação diz, no título, que o piloto morreu envenenado. O texto, porém, fala sobre a morte do empresário Paulo César de Barros Morato. No acidente que matou Campos, a aeronave era pilotada por Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins, que também morreram no acidente – ou seja, o título e o texto falam de pessoas diferentes.

Morato era um dos indiciados da Operação Turbulência, deflagrada pela PF em 2016. Segundo as investigações, ele era o responsável pela empresa Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda, responsável por comprar o avião no qual Campos morreu. O empresário foi encontrado em um motel na cidade de Olinda, em 2016, após ingerir chumbinho. Segundo inquérito da Polícia Civil de Pernambuco, ele cometeu suicídio.

Campos morreu em agosto de 2014, durante a campanha das eleições presidenciais daquele ano. Candidato pelo PSB, Campos estava voando para Santos, no litoral paulista, para participar de uma programação de campanha quando o avião caiu. O acidente resultou ainda nas mortes de Alexandre Severo e Silva (fotógrafo), Carlos Augusto Leal Filho (assessor), Pedro Valadares Neto (assessor e ex-deputado federal), Marcelo de Oliveira Lyra (cinegrafista), além dos pilotos Cunha e Martins.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook