Versão apresentada por adolescente que matou Isabele é contraditória e jovem agiu com 'frieza e desamor', diz juíza

Redação Notícias
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Isabele Guimarães Ramos foi morta aos 14 anos na casa da amiga (Foto: Redes Sociais/Reprodução)
Isabele Guimarães Ramos foi morta aos 14 anos na casa da amiga (Foto: Redes Sociais/Reprodução)

Para a juíza Cristiane Padim da Silva, que condenou a adolescente que atirou e matou Isabele Ramos Guimarães, de 14 anos, em Cuiabá, no ano passado, a versão do crime apresentada é contraditória e não condiz com os relatos das testemunhas durante as investigações. Padim afirmou na sentença que a garota agiu com “frieza, hostilidade, desamor e desumanidade”.

Segundo o G1, que obteve acesso ao documento, o advogado de defesa da adolescente condenada Artur Barros Freitas Osti afirma que é um "equívoco" a conclusão de que ela tenha "dolosamente ceifado a vida da sua melhor amiga".

Isso porque, na sentença deste terça-feira (19), a juíza entendeu que “ceifar a vida de uma pessoa tida como melhor amiga é muito mais violento”, e determinou a internação da adolescente por tempo indeterminado em regime socioeducativo. A pena, que será revista e atualizada a cada seis meses, pode chegar a 3 anos de reclusão.

“Conveniente ressaltar que ceifar dolosamente a vida de uma pessoa é ato infracional violento; ceifar a vida de uma pessoa tida como melhor amiga no banheiro do closet do quarto da própria casa é muito mais violento em razão da vítima, por certo, não esperar tal atitude”, diz Cristiane em trecho da sentença.

Versões contraditórias

A adolescente contou aos investigadores que Isabele estava na casa dela e que, pouco antes da ocorrência, a vítima subiu a escada em direção ao quarto dela para ir ao banheiro. Nesse momento, o pai pediu que ela pegasse o case de armas deixado pelo namorado dela na sala e guardasse.

De acordo com o relato da jovem, ela teria subido as escadas atrás de Isabele e a chamado. Nesse momento, o case caiu no chão e abriu, e uma das armas caiu no chão.

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Segundo ela, ela teria segurado o case com uma das mãos e, com a outra, pegou a arma. Foi neste momento que ela teria perdido o equilíbrio entre segurar a arma e o case e a arma disparou.

Porém, a versão apresentada pela garota, conforme a decisão, é contraditória. Em depoimento, o pai dela disse que não viu o case de armas nas mãos da filha, como narrado por ela.

Já o irmão da adolescente e o namorado dela, que também teriam testemunhado o momento de socorro de Isabele, contaram à polícia que, quando entraram no quarto onde ocorreu o fato, o case de armas estava aberto em uma bancada do quarto.

Além disso, conforme a perícia oficial, a posição em que a vítima foi encontrada caída no banheiro pelo pai e pelo irmão da condenada não é compatível com a dinâmica narrada pela adolescente na delegacia.

“Confiante em mostrar equívoco”

Segundo a decisão, a adolescente foi punida por ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso, quando há intenção de matar, e qualificado.

“A medida liberatória respectiva já foi impetrada junto ao Tribunal competente e o recurso que buscará aclarar as inúmeras obscuridades da sentença será oposto nos dias seguintes”, pontuou Artur Barros Freitas Osti, advogado de defesa da adolescente.

Freitas ainda afirmou que "segue confiante que demonstrará o equívoco da conclusão que entende provável que uma criança, desprovida de qualquer transtorno comportamental, a época com apenas 14 anos de idade, tenha, sem qualquer motivo, dolosamente ceifado a vida da sua melhor amiga”.

O processo

A adolescente foi acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de matar Isabele e no dia 10 de setembro do ano passado pediu a internação provisória dela. Seis dias depois, a Justiça aceitou o pedido do MPE, ordenou a internação da menina e deu início ao processo que tramita em sigilo, segundo o G1.

No entanto, a internação durou menos de 12 horas. A Justiça concedeu um habeas corpus a pedido da defesa dela. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a adolescente em liberdade até a conclusão do processo, com medidas cautelares, como não sair depois de meia-noite de casa e não ingerir bebida alcoólica.

Os pais da adolescente que matou Isabele também se tornaram réus no dia 17 de novembro por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), posse ilegal de arma de fogo, entrega de arma de fogo a pessoa menor, fraude processual e corrupção de menores — não houve pedido de prisão dos pais até a publicação desta matéria.

Segundo o G1, o pai responde por omissão de cautela na guarda de arma de fogo — já que teria obrigação de guardar as armas em local seguro. Já o adolescente responde por ato infracional análogo ao porte ilegal de arma de fogo — transitou armado sem autorização.

O pai do namorado da adolescente que matou Isabele é dono da arma usada no crime. Ele e o filho, que levou a arma até a casa da ré no dia da morte, também foram denunciados pelo MPE e se tornaram réus no dia 2 de setembro.