Verticalização em favela no Ingá transforma paisagem em Niterói

Leonardo Sodré
1 / 2

86857259_NI Rio de Janeiro RJ - 04022020 - Favela encosta no Maquinho e.jpg

Com até três andares, casas já estão mais altas do que o Maquinho, projetado por Niemeyer.

NITERÓI - A verticalização das construções no Morro do Palácio, no Ingá, mudou a paisagem em frente ao maior cartão-postal da cidade, o MAC. Casas erguidas atrás do Módulo de Ação Comunitária, o Maquinho, também projetado por Oscar Niemeyer, estão com três andares e põem em risco o terreno do prédio, colado na comunidade. Em 2010, um deslizamento de terra ameaçou a base do imóvel, e uma obra de contenção precisou ser feita para salvá-lo. O Grupo Executivo para o Crescimento Ordenado de Preservação das Áreas Verdes (Gecopav), da prefeitura, diz que já constatou o problema, demoliu algumas casas no local e fará nova fiscalização.

Da Praia de Icaraí, é possível ver o crescimento das casas onde antes era verde. Construções da comunidade, que há dez anos tinham apenas o térreo, estão com três pavimentos, mais altas até do que o próprio Maquinho. Há um laudo da Defesa Civil que atesta o local como de alto risco de deslizamento, por ser de grande instabilidade.

PROBLEMA ANTIGO

O diagnóstico foi feito após as chuvas de 2010, quando o temporal causou a morte de 267 pessoas no Morro do Bumba, no Viçoso Jardim, e parte da encosta da Boa Viagem também foi abaixo. A terra sob o Maquinho deslizou, e parte de outra encosta do Palácio também desabou na Rua Edmundo March, próximo dali, deixando a varanda de dois apartamentos do Edifício Coronel Couto tomadas de barro e lama.

Wilton Ribeiro, coordenador do Gecopav, diz que as ocupações irregulares no Morro do Palácio ocorrem há mais de 40 anos.

— Realizamos ações frequentes e continuaremos fazendo todas as intervenções necessárias no Morro do Palácio, com o apoio dos órgãos públicos e da Polícia Militar. Por conta da própria geografia do local, existe uma facilidade de reincidência de construções irregulares que continuarão a ser combatidas periodicamente. Trabalhamos para prevenir novas construções irregulares e voltamos em locais onde as pessoas insistem em continuar construindo, mesmo após serem notificadas. Nesses casos, partimos para a demolição. Vamos continuar fiscalizando — afirma Wilton Ribeiro.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER ( OGlobo_Bairros )

Meio ambiente