Veterana do teatro, Isabel Teixeira bomba como Maria Bruaca e vira ícone feminista

Isabel Teixeira em
Isabel Teixeira em "Pantanal" (Globo/João Miguel Júnior)

Isabel Teixeira conquistou o Brasil com seu retrato sensível e empoderado da personagem Maria Bruaca, um dos papeis mais marcantes do remake de "Pantanal". A personagem foi celebrada pelo público desde a primeira edição da novela, em 1990, mas ganhou tons feministas no texto de Bruno Luperi.

Bruaca é um retrato da violência contra as mulheres que ainda predomina em todos os estados do Brasil. A personagem cresceu isolada, sem informação, acesso à internet e TV e nunca sequer ouviu falar sobre seus direitos e sobre a Lei Maria da Penha, que protege mulheres vítimas de assédio e abuso. Para ela, ser traída e abusada verbalmente pelo marido Tenório era o único cotidiano possível, e foi só quando descobriu que o fazendeiro tinha outra família em São Paulo que Bruaca decidiu virar o jogo e lutar por sua liberdade.

Em uma participação no "Criança Esperança", Isabel Teixeira deixou uma mensagem emocionante para as mulheres que se identificaram com a mensagem da personagem. "Maria Bruaca parou de lavar as cuecas do Tenório, né? Agora ela lava a alma de todas as mulheres. Ela reagiu e mostrou que o lugar de mulher é onde ela quiser. Ser livre é a melhor coisa desta vida", afirmou.

Durante o podcast "Papo de Novela", Isabel contou que se inspirou na história da avó para compor a personagem. "Minha avó Jacy foi uma mulher que viveu para os outros. A gente considerava isso muito natural. Ela não foi subjugada, não sofreu abuso moral, mas ela não teve opção", conta Isabel. "E ela gostava do que fazia, pelo menos foi o que pareceu. Hoje, tanto eu quanto minha prima pensamos que, talvez, ela tivesse feito outras escolhas".

A atriz está em seu segundo papel na televisão - sua estreia foi com a personagem Jane, em "Amor de Mãe - , mas tem um passado pouco conhecido como veterana dos palcos. A atriz tem 13 anos de experiência no teatro e fez várias turnês pela Europa. Em 2014 ela chamou a atenção da crítica com a peça "E se Elas Fossem para Moscou?", adaptação de "Três Irmãs", de Tchékov, dirigida por Christiane Jatahy.

"A televisão veio quando eu tinha acabado de voltar de uma temporada grande no Teatro Odeon, em Paris. Desde 2018, pensava em voltar a falar no meu país. E em 2019, tomei a decisão. Quando voltei, o lugar de onde tinha saído, tinha se transformado. Senti que tinha um cerco se fechando e que estava muito difícil viver. Fiquei meio sem lenço, sem documento, até que veio um telefonema, que era de uma produtora de elenco da Globo, e, pela primeira vez, fui convidada para fazer um teste. Em seguida, veio o convite do José Luiz Villamarim para 'Amor de Mãe'", contou.