Viúva da Mega-Sena alega 'risco' com coronavírus, mas tem nova derrota na Justiça

Rafael Soares
Adriana não pode mais recorrer da sentença de homicídio

Adriana Ferreira Almeida, a Viúva da Mega-Sena, sofreu nova derrota na Justiça. Ela alegou que tem um "problema renal", afirmou que está em risco dentro do sistema penitenciário por conta da pandemia de coronavírus e pediu para cumprir a pena de 20 anos a que foi condenada por matar o marido em regime domiciliar. Nesta segunda-feira, o desembargador Gilmar Augusto Teixeira, da 8ª Câmara Criminal negou o pedido, alegando que "a soltura de pessoas presas, ainda que do grupo prioritário, deve ser precedida de avaliação a respeito da sua real necessidade".

No último dia 2, o juiz Pedro Amorim Gotlib Pilderwasser, da 2ª Vara de Rio Bonito, já havia negado o mesmo pedido da defesa. "Não há comprovação, ou sequer alegação, da necessidade de tratamento que não pudesse ser oferecido na unidade prisional em que se encontra acautelada", alegou o magistrado na decisão.

Em setembro do ano passado, esgotaram-se os recursos possíveis, e Adriana foi condenada definitivamente pelo assassinato do ex-lavrador e milionário René Senna, em janeiro de 2007. Em dezembro, a ex-cabeleireira tentou se beneficiar do novo entendimento do STF sobre prisões após condenação em segunda instância e pediu para ser posta em liberdade. O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido.

René Senna foi executado a tiros por dois homens contratados por Adriana, em Rio Bonito, na Região Metropolitana. De acordo com a sentença que condenou a ex-cabeleireira, ela ordenou a morte do marido após ele ter dito que iria a excluí-la do testamento, pois havia descoberto que estava sendo traído.

O documento que a beneficiava já foi anulado por decisão do TJ do Rio, de fevereiro de 2018. Atualmente, a herança é disputada pela filha e por 13 irmãos de Renné Senna. O sítio em que o casal vivia antes do crime — um dos bens mais valiosos da herança — está hoje abandonado. A propriedade tem 9,3 quilômetros quadrados, campo de futebol, quadra de vôlei, pomar e uma casa com sete quartos, cinco banheiros, quatro salas, adega, duas piscinas, sauna e churrasqueira.

Durante o julgamento em que foi condenada, Adriana disse que amava René e que sua vida era muito melhor quando ele estava vivo: “Eu tinha tudo”, afirmou na ocasião.