Viúva de Jovenel Moise pede que 'batalha' do presidente assassinado do Haiti continue

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(Arquivo) O ex-presidente do Haiti, Jovenel Moise, com sua esposa e primeira-dama, Martine Moise, em 23 de maio de 2018, em Porto Príncipe

Martine Moise, viúva do presidente do Haiti assassinado na quarta-feira, Jovenel Moise, fez neste sábado (10) suas primeiras declarações públicas desde o ataque, nas quais pediu a seu país que não "perca o rumo".

As palavras de Martine Moise chegam três dias depois que ela foi levada de avião a um hospital de Miami para ser tratada pelos graves ferimentos sofridos na manhã de quarta-feira, quando homens armados invadiram a casa da família em Porto Príncipe, capital do Haiti, um país que vê sua crise política se agravar sem um plano de sucessão claro no horizonte após o assassinato.

"Estou viva, graças a Deus", disse Martine Moise em uma mensagem de áudio em crioulo publicada em sua conta oficial no Twitter, e verificada como autêntica pela AFP por meio do ministro haitiano da Cultura e Comunicações, Pradel Henriquez.

"Em um piscar de olhos, os mercenários entraram em minha casa e crivaram meu marido de balas... Sem nem mesmo dar a ele a chance de dizer uma palavra", contou.

De acordo com as autoridades haitianas, um esquadrão de 28 homens (26 colombianos, muitos deles soldados aposentados, e dois haitiano-americanos) invadiu e abriu fogo contra o casal em sua residência.

As autoridades do país prenderam 17 dos agressores e mataram pelo menos três outros. Os outros seguem foragidos, segundo a polícia.

Até agora, nenhum motivo foi divulgado, e há dúvidas sobre quem pode ter sido o mentor do crime.

Martine Moise indicou uma variedade de razões possíveis: disse que os assassinos teriam sido enviados por pessoas que não gostaram dos planos de seu marido de fornecer "estradas, água e eletricidade, um referendo (constitucional) e eleições até o final do ano".

Sugeriu que talvez os responsáveis pelo assassinato "não queiram ver uma transição no país".

"Estou chorando, é verdade, mas não podemos deixar o país se perder", disse els. "Não podemos permitir que seu sangue... Tenha sido derramado em vão."

- Sem rumo claro -

O assassinato de Moise lançou ao caos um já instável Haiti, o país mais pobre da América.

A comunidade internacional apelou pela realização das eleições presidenciais e legislativas marcadas para o final deste ano.

Quanto à transição, o primeiro-ministro interino Claude Joseph disse que continua no comando.

Mas um grupo de senadores, com o suporte de partidos de oposição, apoia o plano de designar o líder do Senado, Joseph Lambert, como presidente provisório, com Ariel Henry como o novo primeiro-ministro, um cargo que Moise já havia lhe dado no início da semana.

Não está claro como Lambert poderia executar seu plano e, por enquanto, Joseph parece ter a polícia e outras forças de segurança ao seu lado.

"A Constituição é clara: tenho que organizar eleições e passar o poder para outra pessoa que seja eleita", afirmou Joseph em uma entrevista transmitida neste sábado pela CNN.

Autoridades americanas dizem que Porto Príncipe pediu a Washington "assistência em termos de segurança e investigação" e que agentes do FBI já foram enviados.

Segundo um ministro haitiano, tropas também foram solicitadas, mas um alto funcionário do governo dos EUA disse à imprensa americana que o envio de tropas está descartado.

Em Porto Príncipe, as empresas reabriram lentamente e as pessoas voltaram às ruas neste sábado. Mais de 200 pessoas preocupadas com o futuro incerto do país procuraram a embaixada dos Estados Unidos nos subúrbios da capital na esperança de obter asilo político, com seus passaportes e outros documentos em mãos.

"Se o presidente pode ser assassinado aqui, eu - um simples cidadão - não vou me salvar. Tenho que pedir asilo para buscar uma vida melhor em outro lugar", disse Louis Limage à AFP em frente ao prédio.

Quanto a Martine Moise, ela prometeu se relacionar com os haitianos por meio do Facebook "em um futuro próximo". "Não vou abandonar você", garantiu.

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