Viúva de PM morto em confronto no Alemão diz que está chocada e pede 'força e saúde a Deus' para criar filhos autistas

"Peço força e saúde a Deus para poder criar meus filhos, que vão precisar de mim", afirmou Lídia Costa, viúva do policila militar Bruno Costa, morto em operação no Complexo do Alemão nesta quinta-feira. Ela foi na manhã desta sexta-feira ao Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio. Dois filhos do casal são autistas.

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Ao ser perguntada se Bruno gostava de atuar como policial, ela disse, sem dúvidas, que sim.

— Ele nasceu para isso, foi paraquedista por sete anos e foi cabo do Exército. Bruno sempre teve paixão pelo militarismo. Era um excelente policial militar.

Ela contou ainda que "a ficha ainda não caiu" com relação à morte do marido:

— Está todo mundo chocado. A ficha ainda não caiu. Queria agradecer todo o apoio que tenho recebido.

Ainda não há informações sobre o enterro do policial militar.

Aos 38 anos, o cabo Bruno de Paula Costa, lotado na UPP Nova Brasília, estava na PM desde 2014. Ele deixou mulher e dois filhos autistas. O presidente Jair Bolsonaro lamentou a morte do agente e escreveu que o Rio “tem áreas de exclusão, onde a PM não pode agir, por decisão do Supremo Tribunal Federal”

Dezoito mortos na operação

A operação no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, deixou pelo menos 18 mortos ontem — entre eles, o policial militar e uma mulher que passava de carro. Durante dez horas, agentes da Polícia Civil e da PM vasculharam as comunidades da região, que teve as principais vias fechadas, assim como postos de saúde, escolas e quase todo o comércio. Traficantes reagiram com balas traçantes contra helicópteros das forças de segurança, em imagens que chocaram as redes sociais, e empregando táticas de guerrilha, como o uso de óleo em ladeiras para atrapalhar o avanço dos veículos blindados. Ao fim da ação, a PM divulgou que foram apreendidos quatro fuzis, duas pistolas e uma metralhadora .50, destinada a abater aeronaves, além de 56 artefatos explosivos.

— Não há saldo operacional positivo que possa suplantar a perda de vidas inocentes — reconheceu o coronel Rogério Quemento Lobasso, subsecretário de Gestão Operacional da corporação.

Letícia Marinho Salles, de 50 anos, era moradora do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, mas estava no Alemão quando o tiroteio começou. Ela era mãe de três filhos, que já haviam perdido a avó há menos de uma semana.

— Estou desnorteado. A mãe dela acabou de morrer por velhice, e hoje aconteceu isso. Ela estava na minha casa, na Penha, e nós viemos para cá (Alemão) tomar café na minha tia. Nessa hora não tinha disparo. Nós paramos em um sinal e, logo depois, meu carro foi alvejado. Ela foi atingida no peito — contou, ainda emocionado, o namorado de Letícia, Denilson Glória.

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– O Disque-Denúncia (2253-1177) pede informações que possam levar aos responsáveis pelo assassinato do cabo Bruno, que está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A especializada também apura a morte de Letícia. Embora Denilson tenha apontado policiais como os responsáveis pelos tiros, nem a PM nem a Polícia Civil informaram se algum agente envolvido na operação prestou depoimento ou teve as armas apreendidas.

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