Viúva do tio de Marília Mendonça reflete sobre morte após um ano: 'Todos os dias falo dele para nossa filha'

Nesta sábado, 5, quando completa um ano do acidente de avião que matou Marília Mendonça e a equipe que viajava com ela, Nayara Silveira, viúva de Abicieli Silveira, tio da cantora, vai ficar em oração, longe das redes sociais e repetir algo que faz todos os dias desde que viu o marido pela última vez: abraçar a filha e falar sobre o pai dela.

"Sei que ela é muito pequenininha ainda para entender, mas sempre falo para nossa filha o quanto ele a amava, o quanto foi desejada por nós. Mostro fotos e vídeos, digo para ela: 'Olha, esse é seu papai. Ele agora mora no céu", conta Nayara, emocionada.

É ainda sob a forte emoção que ela vive. Num luto que parece jamais ter fim. "Não consegui superar. Ainda é muito difícil. É como se uma parte de mim também tivesse morrrido. Parece que fui amputada", relata.

Neste um ano, Nayara ainda enfrentou um outro revés. Prima de Marília, Laura, nasceu com cardiopatia congênita, uma anormalidade na estrutura e na função do coração. A doença foi descoberta por meio de um ecocardiograma fetal na 36ª semana de gravidez. A menina passou por uma cirurgia em dezembro do ano passado, aos 7 meses de idade.

"Me peguei com Deus para passar por tudo isso. Tinha hora que eu não sabia se ia conseguir estar ali sem o Silveira", recorda ela: "Quando estava viva, a Marília ajudou demais. Pagou todo meu pré-natal, o plano da Laura, a cirurgia. A gente ia só esperar eles voltarem da turnê na Europa para operá-la, mas a vida não quis assim".

Laurinha completou 1 ano em maio, sadia e feliz. A mãe, orgulhosa, conta como ela se parece com Silveira: "Tudo é dele, o nariz, o rosto, as mãozinhas, até a arcada dentária. Ela é toda o pai".

Nayara e Silveira viveram uma dessas histórias de amor que se vê nos filmes. Ficaram cinco anos juntos e ele costumava brincar com a diferença de dez anos entre eles. "Ele tinha 44, e eu tenho 34 anos. Quando ele me pediu em casamento, dizia que eu estava casando com um velhinho e que era para sempre", revela: "Nosso amor foi assim uma coisa de outro mundo, um encontro de almas gêmeas mesmo. Ele achava que nunca iria se casar e dizia que, se um dia a gente divorciasse, não haveria mais ninguém na vida dele. Eu penso que também nunca mais vou conseguir amar outra pessoa como ainda amo ele".

Após a morte do marido, ela e a filha se mudaram de Goiânia para Goianira, cidade do interior de Goiás, onde moram com os pais dela. Com a responsabilidade de mãe solo agora, Nayara ainda não voltou a trabalhar, o que espera conseguir em 2023: "Meus pais ajudam, dona Ruth (mãe de Marília) também. Ela é uma mulher maravilhosa e eu sou só gratidão por tudo o que ela faz. Minha vida parou desde a morte do Silveira. Mas me apego na fé em Deus que ano que vem eu consiga recomeçar. Essa é a palavra, recomeçar".