'Vi minha filha ficar roxa e imóvel': após susto, médica ensina como evitar convulsões e doenças respiratórias

"Eu vi minha filha de um ano de idade, na vigência de uma febre alta, ficar roxa, imóvel e com aspecto cadavérico. Eu jamais me imaginaria vendo uma convulsão febril daquele jeito, na minha filha, sem histórico. O mundo parecia parar, meu coração ficou gelado como só quem já viveu sabe”. Esse relato foi feito, há pouco mais de uma semana, por Ana Jannuzzi, em suas redes sociais. Além de mãe de Romana, de 1 ano, e Clarice, de 3, a moradora da Glória é médica especialista em pediatria, escritora, palestrante e influenciadora digital com mais de 750 mil seguidores só no Instagram (@drajannuzzi).

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Acostumada a ver casos de convulsão febril na época em que trabalhava em hospital, ela conta que quando aconteceu com a filha, a médica saiu de cena e só restou a mãe. Antes disso, Romana estava com um resfriado e febre, doença e sintoma que ao lado de outros parecidos têm se manifestado mais do que o esperado para esta época do ano — e quem mais sofre são as crianças pequenas. Nos primeiros quatro meses do ano, segundo dados do Ministério da Saúde, houve um aumento de 30% nas internações de crianças de até 5 anos por síndrome respiratória aguda grave em relação ao mesmo período do ano passado. A explicação, de acordo com Ana, seria o fim do isolamento social com a volta da circulação de vírus em massa, associada a baixa imunidade provocada pelo tempo passado em distanciamento social.

— Nem de longe foi parecido com nada que eu já havia visto, é difícil tirar a emoção da frente. Foi extremamente apavorante e angustiante passar por aquela situação sem conseguir controlar. Por mais que a convulsão febril em si não seja grave, ela é muito assustadora — conta Ana, a mãe.

Mas e como prevenir doenças respiratórias e a tão temida convulsão febril? Primeiro, a médica Ana explica que nem toda doença respiratória provoca febre e que a convulsão febril ocorre em crianças quando há variação muito rápida na temperatura corporal. O principal cuidado é evitar que a febre alta permaneça e tratar conforme orientação médica, principalmente se a criança já teve algum episódio. Durante a convulsão febril, ela ressalta que é importante proteger a cabeça da criança de traumas e virar seu rosto de lado para que, caso ela vomite, haja menos risco de broncoaspiração. A médica explica ainda que não é em toda situação de convulsão febril que é necessário fazer mais exames, apenas quando há doenças associadas, como crises convulsivas sem febre.

— No caso da Romana, fizemos um eletroencefalograma pois ela tinha episódios de ausência, que é quando o cérebro “desliga” por pouco tempo, mas nada foi constatado. Antes da crise, dei medicamento para febre e ela engasgou. No dia seguinte, tentei controlar apenas com banho fresco, mas a febre fez um pico. Eu me culpei tanto — revela a médica e mãe.

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As doenças respiratórias, também conhecidas como doenças de outono, mais comuns, segundo a especialista em pediatria, são gripes, resfriados, bronquiolites, gastroenterites com vômitos e diarreias. Ela ressalta que nos primeiros anos de vida é esperado que a criança tenha até dez episódios dessas doenças por ano, e que em 2022, apesar de ainda estarmos no início de junho, muitas crianças já estão chegando a esse limite. A recomendação dela é evitar ambientes fechados e aglomerados, lavar as mãos da criança, usar álcool em gel, manter a criança bem hidratada e fazer lavagem nasal com soro fisiológico, sobretudo se ela já estiver com nariz entupido ou secreção. Ela frisa que a medida não causa riscos, como gerar uma otite. Outra indicação é não frequentar a creche enquanto estiver doente.

— E ter paciência, pois pode ser mesmo difícil ter uma criança doente em casa todo mês e até mais de uma vez por mês em períodos como o que estamos vivendo. Sempre recomendo uma avaliação inicial por um profissional de saúde. Na maior parte das vezes, os quadros virais sazonais são autolimitados, mas é necessário ser avaliado para buscar sinais de alarme, como desidratação, insuficiência respiratória e sinais de pneumonia. Febre com duração de mais de 48 horas, que não cede com o uso de antitérmicos, mau estado geral, criança que se recusa a comer e beber água, que não está fazendo xixi ou que está com dificuldade respiratória são sinais de alerta que orientam a avaliação imediata. E sempre é necessário que ela seja reavaliada em caso de novo quadro — diz a médica.

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