Viagem de Hariri à França pode iniciar solução para a crise

Por Valérie LEROUX
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Chanceler francês Jean-Yves Le Drian fala durante coletiva com seu colega saudita Adel al-Jubeir

A decisão do primeiro-ministro demissionário libanês, Saad Hariri, de aceitar viajar à França poderia ser o "início de uma solução" à crise provocada por sua renúncia, considerou nesta quinta-feira (16) o presidente do Líbano.

"Vamos esperar o retorno do primeiro-ministro Hariri de Paris para decidir as próximas medidas relacionadas ao governo", declarou Michel Aun em um tuíte.

Hariri chegará a Paris no sábado, onde será recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, anunciou a Presidência francesa nesta quinta-feira (16).

Na quarta-feira, Macron convidou Hariri, atualmente na Arábia Saudita, a passar "alguns dias" na França, o que ele aceitou. O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al jubeir, confirmou nesta quinta que Hariri estava livre para sair de Riad "quando quisesse".

Mais cedo, em uma coletiva de imprensa conjunta em Riad, os ministros das Relações Exteriores francês e saudita, Jean-Yves Le Drian e Adel al-Jubeir, confirmaram que Hariri viajaria a Paris e que o primeiro-ministro demissionário era livre para deixar a Arábia Saudita quando desejasse.

No dia 4 de novembro, Hariri renunciou ao cargo de primeiro-ministro em um discurso transmitido a partir da Arábia Saudita e desde então não retornou a seu país.

Na quarta-feira, o presidente libanês Michel Aoun acusou a Arábia Saudita de manter Saad Hariri em detenção.

"Nada justifica que Hariri não esteja de volta após 12 dias. Assim, o consideramos um cativo e detido, o que é contrário à Convenção de Viena" que rege as relações diplomáticas entre os países, indicou um tuíte da Presidência libanesa, citando Aoun.

Nesta quinta-feira, o chanceler saudita al-Jubeir garantiu que "Hariri está aqui por sua própria vontade e pode sair quando desejar".

"Hariri é um cidadão saudita e libanês, e como tal não podemos retê-lo, isto é falso", ressaltou.

O presidente libanês foi eleito em 2016 graças ao apoio do Hezbollah xiita, rival de Hariri.

Sua eleição abriu o caminho para que Hariri fosse nomeado primeiro-ministro novamente (tinha sido a primeira vez de novembro de 2009 a junho de 2011) e formasse um governo de coalizão com o Hezbollah e outras partes libanesas.

Dois meses depois, o governo foi estabelecido graças a um compromisso.

Saad Hariri, um protegido de Riad, justificou sua renúncia pelos desmandos em seu país do Irã e do Hezbollah.

Em Riad, Le Drian também denunciou a "tentação hegemônica" do Irã e expressou sua preocupação com o programa de mísseis balísticos iranianos.

A renúncia de Hariri foi imediatamente interpretada como uma nova disputa entre a Arábia Saudita sunita e o Irã xiita. As duas potências do Oriente Médio já se enfrentam em outros assuntos regionais, como nas guerras no Iêmen e na Síria.

A crise também coincide com uma ofensiva contra a corrupção que levou à prisão vários príncipes, ministros e magnatas sauditas, um expurgo sem precedentes no reino.

No Líbano, o presidente Aun disse que esperaria o retorno de Hariri para considerar sua renúncia.