Viagens de ministros já custaram quase R$ 11 milhões no governo Bolsonaro; veja quem são o mais 'gastões'

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(AP Photo/Eraldo Peres)
(AP Photo/Eraldo Peres)

Por Taís Seibt

Gastos com viagens de ministros somam R$ 10,8 milhões desde o início do governo Bolsonaro. Os ministros que mais gastaram com diárias e passagens no exercício do cargo até agora são Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Bento Albuquerque, de Minas e Energia: cada um deles gastou R$ 1,6 milhão em viagens oficiais entre janeiro de 2019 e agosto de 2020.

Os dados analisados pela agência Fiquem Sabendo foram extraídos em 8 de setembro de 2020 do Painel de Viagens, onde o Ministério da Economia (ME) disponibiliza gastos com passagens e diárias relativos aos afastamentos a serviço de servidores, militares, empregados públicos e colaboradores eventuais no território nacional ou no exterior, conforme previsto na lei federal 8.112/1990. No Painel, o cidadão pode monitorar gastos com viagens por passageiro, por órgão, por data, entre outros filtros de consulta.

Segundo os registros do ME até o dia 6 de setembro de 2020, os gastos com passagens para o ministro de Minas e Energia se aproximam de R$ 1,2 milhão. Bento Albuquerque recebeu ainda R$ 450 mil em diárias, cobertas pelos cofres públicos proporcionalmente ao período de viagem. Tereza Cristina tem um gasto inferior em passagens, cerca de R$ 900 mil, mas supera Albuquerque em diárias, com mais de R$ 720 mil recebidos.

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Mesmo tendo deixado o governo em abril de 2020, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta ainda se destaca entre os que mais gastaram em viagens: é o quinto da lista, com R$ 863 mil, atrás de Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, com R$ 941 mil, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente, com R$ 1,2 milhão em passagens e diárias pagas pelos cofres públicos. Já Abraham Weintraub, que saiu do Ministério da Educação em junho, foi o que menos gastou: cerca de R$ 28 mil em passagens e R$ 3 mil em diárias.

Retorno social questionável

Para o professor do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Cristiano Sausen Soares, que pesquisa o controle de gastos com diárias e passagens no poder público, o monitoramento da despesa com viagens de ministros é mais complexo, pois há fatores políticos que interferem nesse tipo de agenda em cargos do alto escalão.

“O servidor de carreira, para receber diárias e passagens, precisa apresentar uma proposta, em geral, de aperfeiçoamento ou treinamento, e deve apresentar um relatório justificando o benefício social do deslocamento realizado. No caso dos ministros, muitas viagens têm finalidade representativa, ou seja, são para marcar a presença do governo em uma determinada situação, o que torna mais difícil mensurar o real retorno social desse gasto com diárias e passagens”, comenta.

Soares exemplifica com o caso de Tereza Cristina, que viajou para a Ásia mais de uma vez para tratar da habilitação de novos frigoríficos para exportação. “O negócio teria acontecido sem a necessidade da viagem? É difícil calcular, pois há múltiplos fatores envolvidos, não é uma relação tão direta”, observa o professor da UFSM.

Na avaliação do especialista, falta transparência na disponibilização de relatórios de viagem e critérios claros de verificação. “Para que haja um efetivo controle social sobre a concessão de diárias e passagens, deve haver parâmetros claros para que a população possa mensurar o benefício social das viagens e assim auxiliar no combate à corrupção”, destaca Soares.

Para onde viajam os ministros

Os destinos das viagens ministeriais são dos mais variados, desde cidades do interior de norte a sul do Brasil até centros econômicos e culturais mundo afora. A capital federal, Brasília, por ser a sede do poder, é destino final da maioria das viagens ministeriais, por isso aparece com maior número de registros. São 1.068 ocorrências, gerando cerca de R$ 1 milhão em pagamentos de passagens desde janeiro de 2019.

Dentre os destinos internacionais, Washington foi o mais frequentado: foram 26 ocorrências em que algum ministro de Bolsonaro desembarcou na capital dos Estados Unidos. Essas viagens são também as mais caras dentre as internacionais: foram R$ 238 mil em passagens e R$ 179 mil em diárias pagas pelo governo.

Estados Unidos é o destino preferido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já esteve 35 vezes no país norte-americano desde o início do mandato. Somente a mais recente das viagens presidenciais aos EUA, em março deste ano, custou mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Paris, Pequim, Nova York, Genebra, Madri, Tóquio, Abu Dabi, Dubai e outras dezenas de cidades nos diversos continentes estiveram na rota dos ministros desde janeiro do ano passado.

Para consultar dados detalhados por ministro, utilize a busca por passageiro no Painel de Viagens do governo federal.

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