Viagens no Ano Novo Lunar da China impulsionarão economia após crise da Covid

Viajantes fazem fila em estação ferroviária antes do Ano Novo Lunar, em Xangai, China

XANGAI (Reuters) - Trabalhadores urbanos lotavam estações de trem nas maiores cidades da China nesta terça-feira, quando as viagens para o feriado do Ano Novo Lunar atingiram o auge, um sinal de recuperação econômica, ao mesmo tempo em que autoridades confirmaram uma desaceleração devido às restrições da Covid-19.

A segunda maior economia do mundo desacelerou acentuadamente no quarto trimestre, mostraram dados nesta terça-feira, arrastando o crescimento de 2022 para um de seus piores desempenhos em quase meio século, após três anos de restrições e lockdowns da Covid.

Com viagens em massa para o Ano Novo Lunar possíveis pela primeira vez em quase três anos após o relaxamento de algumas das restrições mais rígidas do mundo contra Covid, a economia deve ganhar com centenas de milhares de pessoas gastando mais por dia ao retornarem ao interior da China.

Embora muitos analistas digam que o retorno à normalidade econômica será gradual à medida que o impacto da Covid enfraquece, alguns veem o Ano Novo Lunar como um impulso bem-vindo de consumo.

"O pico de infecções passou nas principais cidades em janeiro e, com a chegada do Festival da Primavera, o turismo está de volta e os sinais de recuperação do consumo são óbvios", disse Nie Wen, economista da empresa de investimentos Hwabao Trust, com sede em Xangai.

Mas com tantas pessoas em movimento, especialistas em saúde temem um aprofundamento do surto de Covid, deixando os idosos nos vilarejos rurais particularmente vulneráveis.

Apesar das autoridades confirmarem um grande aumento nas mortes no sábado --anunciando que quase 60.000 pessoas com Covid morreram em hospitais entre 8 de dezembro e 12 de janeiro-- as autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) estão buscando mais informações sobre as taxas de mortalidade.

A Reuters informou nesta terça-feira que médicos de hospitais públicos e privados estavam sendo ativamente desencorajados a atribuir mortes à Covid.

(Reportagem da Redação de Xangai e Joe Cash, Martin Quin Pollard e Bernard Orr em Pequim)