Viajante do Brasil ficará em quarentena vigiada por 10 dias, anuncia Boris

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
·5 minuto de leitura

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Viajantes que chegarem à Inglaterra do Brasil e "não puderem ter sua entrada recusada" deverão fazer quarentena em locais específicos, com vigilância, pelo período de 10 dias, afirmou nesta quarta (27) o premiê britânico, Boris Johnson. O isolamento será obrigatório mesmo para quem tiver um teste negativo para o Sars-Cov-2. A medida faz parte de um pacote de novas restrições de entrada, publicado nesta quarta, e se aplica também a quem vem de outros 21 locais onde há circulação de variantes do coronavírus mais contagiosas. No comunicado, a Secretaria do Interior afirma que o país "continuará a recusar a entrada de não residentes no Reino Unido" que venham das zonas vermelhas. Os residentes e viajantes essenciais que chegarem desses países serão transportados dos aeroportos e portos para as instalações e, em princípio, deverão arcar com os custos de estadia -detalhes ainda serão fornecidos pelo governo, segundo a Secretaria do Interior. O objetivo é conter a transmissão do coronavírus. No começo da noite, o premiê afirmou que um relaxamento das restrições só virá a partir de meados de fevereiro, quando for possível constatar se as vacinas contra Covid-19 estão reduzindo as hospitalizações e mortes no país. Escolas, de acordo com ele, não reabrirão antes de 8 de março. O Reino Unido é o país ocidental mais avançado na vacinação, com mais de 11 doses aplicadas para cada 100 habitantes (em segundo lugar estão os EUA, com 7/100). Boris afirmou que, mantido esse ritmo, até 15 de fevereiro terá sido completada a imunização dos quatro principais grupos de risco (moradores e funcionários de asilo e profissionais de saúde mais expostos a risco). Boris já havia anunciado a proibição de voos vindos do Brasil e de outros países, como a África do Sul e toda a América do Sul. A Inglaterra também proibiu viagens não essenciais ao exterior quando instituiu seu terceiro confinamento, no começo deste ano. O governo chegou a planejar que todo passageiro, independente da origem, ficasse isolado sob vigilância, mas houve preocupação com a falta de vagas. Para os viajantes que chegam de outros destinos, é obrigatório fornecer detalhes de contato e o endereço de onde farão o isolamento, que, segundo o governo, também será fiscalizado. A medida vale para todos, inclusive os que vêm dos antigos corredores de viagem. Além disso, todo passageiro com mais de 11 anos que chega à Inglaterra tem que ter obtido um teste negativo para Sars-Cov-2 em até 72 horas antes do embarque. Segundo o governo, haverá fiscalização aleatória na entrada, e a multa para quem não tiver o certificado é de 500 libras (mais de R$ 3.700). Para quem quebrar o autoisolamento, a multa é de 1.000 libras (R$ 7.400) e chega a 10 mil libras (R$ 74 mil) para os renitentes. Há também uma multa de 100 libras (R$ 740) para quem não preencher o questionário de contatos e endereço. O APERTA-E-SOLTA DE BORIS JOHNSON NA PANDEMIA § - aberturas # - fechamentos 31.jan.2020 - primeiro caso registrado 3.mar.2020 - primeira morte por Covid-19 10.mar.2020 - após confinamento na Itália, britânicos correm aos supermercados. Governo britânico descarta lockdown e cria comissão para combater notícias falsas. § 13.mar.2020 - Enquanto 31 países da Europa já haviam fechado escolas, Boris defende manutenção das aulas e conselheiro científico defende objetivo de "construir algum tipo de imunidade coletiva" # 16.mar.2020 - Governo decreta "isolamento vertical" de quatro meses para maiores de 70 anos, proíbe eventos públicos e pede trabalho em casa # 17.mar.2020 - Após estudo prevendo 250 mil mortes se o Reino Unido não apertasse controle, Boris reforça restrições # 20.mar.2020 - Governo fecha pubs, restaurantes, clubes e casas noturnas e anuncia fechamento de escolhas no dia 23 # 23.mar.2020 - Após um fim de semana de parques lotados, Boris decreta primeiro confinamento § 26.mar.2020 - Governo britânico diz que estratégia de testes é adequada apenas a nações menos desenvolvidas # 10.abr.2020 - secretário de Saúde anuncia meta de 100 mil testes até o fim de abril; meta não foi cumprida § 28.abr.2020 - grupo de aconselhamento (Sage) afirma que há "pouca justificativa científica" para reforçar controles nas fronteiras § 6.mai.2020 - Boris auncia relaxamento progressivo do confinamento § 10.mai.2020 - Boris pede que trabalhadores voltem às fábricas § 1º.jun.2020 - escolas começam a reabrir § 8.jul.2020 - com taxa de novos casos em baixa, governo lança campanha "Comer fora para ajudar", incentivando a ida a restaurantes para ajudar a combater a crise; pubs são reabertos § 14.ago.2020 - governo encoraja volta aos cafés, bares e escritórios 21.set.2020 - Sage sugere "bloqueio disjuntor" -lockdowns de curta duração acionados quando os números passassem de certo limite, rejeitado por Boris # 12.out.2020 - Boris lança sistema de três etapas de restrições # 31.out.2020 - Boris anuncia "bloqueio partical", pelo período de um mês; escolas continuam abertas § 2.dez.2020 - Bloqueio termina e Inglaterra adota sistema de quatro etapas de restrições; Reino Unido aprova uso de vacina da Pfizer § 16.dez.2020 - Boris anuncia relaxamento das restrições nos cinco dias de Natal e Ano Novo; na mesma época, governo identifica nova variante mais contagiosa # 19.dez.2020 - Boris cancela relaxamento # 4.jan.2021 - Boris decreta terceiro confinamento e cancela reabertura das escolas # 15.jan.2021 - Inglaterra proíbe entrada de viajantes do Brasil e outros países em que foram encontradas variantes contagiosas # 27.jan.2021 - Boris impõe quarentena de dez dias em instalações específicas para quem chegar do Brasil e outras 22 origens; governo anuncia que escolas não reabrirão antes de 8 de março