Vias de acesso a Cumbica terão sistema de alerta para veículos suspeitos

ROGÉRIO PAGNAN
***ARQUIVO***GUARULHOS,SP, 05.12.2019: Fachada do aeroporto Internacional de Guarulhos, localizado na Grande São Paulo. (Foto: Fepesil/TheNews2/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As vias de acesso ao aeroporto internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, receberão um sistema de câmeras e radares inteligentes da Polícia Rodoviária Federal para detectar a aproximação de veículos suspeitos.

O aeroporto de Cumbica, como é conhecido, foi palco, em julho deste ano, de um dos maiores roubos da história do país, quando criminosos armados, disfarçados de policiais federais, acessaram o terminal de cargas e levaram mais de 770 kg de ouro. O mega-assalto revelou uma fragilidade da segurança do aeroporto e, com ele, a preocupação de autoridades paulistas diante da possibilidade de novos casos.

Segundo a PRF e a presidência da GRU AirPort, câmeras e radares serão integrados ao sistema Alerta ainda no primeiro semestre de 2020. O Alerta é semelhante ao sistema de Detecta do governo paulista, que emite sinais à polícia quando veículos de interesse passam por radares com leitura de placas.

Veículos de interesse podem ser aqueles com queixas de roubo ou furto, ou, também, de específico interesse da polícia. Um exemplo seria um carro que foi visto circulando de maneira suspeita em determinado dia e sobre o qual policiais querem ser avisados caso volte à região.

Além de radares a serem implantados, a PRF também terá acesso às câmeras do aeroporto. "As câmeras do aeroporto, juntamente com outras câmeras da PRF, estão sendo instaladas no sítio [aeroportuário] e farão parte do sistema Alerta da PRF", disse o diretor de operações da GRU AirPort, Miguel Dau. "Mais dois ou três meses estaremos com todo o sítio, que cabe à PRF monitorar, no sistema Alerta", disse.

De acordo com o superintendente-executivo da PRF, Luciano Fernandes, até trechos urbanos devem ser integrados ao monitoramento. "Além de levar o monitoramento para a rodovia do aeroporto, por estarmos em Guarulhos a gente vai conseguir trazer também o monitoramento da cidade", afirmou o policial.

Ainda segundo o policial, a contratação dos equipamentos está em fase final. "Já está licitada, só falta a parte da implantação agora."

Além do sistema de monitoramento, a PRF anunciou nesta segunda (16) a construção de uma supersede na área do aeroporto. Avaliada em R$ 40 milhões, a obra com 8.000 m2 deve ser concluída até 2024 e funcionará como sede da superintendência paulista e, também, de uma delegacia ligada à PRF.

O terreno, cedido pela empresa que administra o aeroporto, a GRU AirPort, fica entre os lagos próximos ao hotel Pullman, ponto estratégico da rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao sítio aeroportuário.

A sede atual fica na rodovia Presidente Dutra, cujo espaço não consegue abrigar corretamente nem mesmo as viaturas da corporação, segundo a PRF.

O projeto arquitetônico será desenvolvido pela UFSCar. Segundo a GRU e a PRF, o convênio assinado agora já vinha sendo discutido há anos e não guarda ligação com o roubo ocorrido em julho, quando bandidos disfarçados de agentes da Polícia Federal.

"É uma coincidência", disse o superintendente Valmir Cordelli. "Nós viemos aqui para somar com outras forças de segurança já presentes. Essas trocas de informações vão inibir crimes e tudo mais. Todas as vezes que trabalhamos integrados, é para evitar assaltos, roubos, e tudo mais."

"A sensação de segurança no aeroporto como um todo é intangível. Você vai ter a presença de uma tropa altamente qualificada. Ela [a PRF] não estará mais de passagem, ela vai morar no sítio aeroportuário", disse o diretor de operações da GRU AirPort, Miguel Dau.

No local vai haver, além do prédio administrativo, uma delegacia da PRF, um auditório, um estande de tiro, um canil e um depósito de materiais. Goiás e Espírito Santo são os próximos estados que devem mudar suas sedes da PRF para regiões próximas de seus aeroportos internacionais.