Vice-campeã de 'No limite', Pipa Diniz é chef de confeitaria e relembra 20 anos do reality

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Pipa abriu uma cafeteria com a família em Porto Alegre

Se durante a participação na primeira edição de ‘No limite’,  Pipa embrulhou o estômago dos espectadores ao comer oito olhos de cabra, hoje Patrícia Diniz é chef de confeitaria e prepara doces de deixar qualquer um com água na boca. Duas décadas após o primeiro reality show da TV brasileira, a vice-campeã que viveu quase um mês ao lado de onze participantes em situação limítrofe, considera a experiência uma grata surpresa.

“Foi um privilégio ter vivido uma experiência como essa e ainda ter participado do primeiro formato de reality show. Ao mesmo tempo, foi um grande desafio” conta ela, que ficou sob o sol forte nas areias do Ceará por 23 dias de gravação. “Pareciam dois anos (risos)”.

 

Talvez a iguaria mais marcante do programa, o olho de cabra também permaneceu nas lembranças da ex-participante, que conseguiu extrair do amargor do desafio uma lição. “Lembro de como o grupo me acolheu quando comi os oito olhos de cabra e com isso ganhamos um sabonete. Aprendi a valorizar mais a condição que tenho, me fez amadurecer muito”.

Entre as intempéries como improvisar abrigo, arranjar comida e ter sua resistência testada de forma exaustiva, o obstáculo mais difícil na competição era também o seu ponto de equilíbrio.

“Você é testado o tempo inteiro, mas o mais difícil é a relação social. Conviver com pessoas que você não conhece, em uma situação de risco e sem saber o que vai acontecer, te faz ficar sob alerta o tempo inteiro. (...) Ao mesmo tempo, descobri que tenho uma personalidade afetiva. Sou intensa, comunicativa, preciso de gente”, revela.

Para Pipa, a sensação de exaustão tomou conta no fim do reality, quando disputou a prova final com a paulistana Elaine Cosmo de Melo. “Na última noite fiquei sozinha na barraca, só nos encontramos no dia seguinte para disputar a prova decisiva. Ali eu perdi todas as minhas forças, não posso com solidão”, recorda ela, que é amiga até hoje da campeã da edição.

 

“Sempre falo com muito orgulho dela e de mim. Não perdi nada, fui até o final e até onde eu podia. Ela foi a grande vencedora da edição” diz Pipa, que também mantém contato até hoje com outros participantes. “Temos um grupo no WhatsApp, a gente se dá boa noite, conversa... Temos uma amizade muito forte”.

Após o fim do reality, a ex-garçonete do restaurante Sanduíche Voador abriu uma creperia em Porto Alegre com o marido, Mauricio Zuccoloto que manteve por sete anos. Aos 35, tornou-se mãe do Vicente, e migrou para a carreira de gestão de pessoas, onde permaneceu por quase uma década. No final do ano passado, voltou a empreender ao lado da família e é chef de confeitaria do Café Cactus. Em tempos de coronavírus, porém Pipa decidiu seguir com o atendimento apenas por delivery, mesmo com a permissão de reabertura do comércio após decreto da prefeitura de Porto Alegre.

Hoje em dia, a agitação e a pressão ficam reservadas apenas para a hora do trabalho, entre o preparo na cozinha e a entrega dos quitutes artesanais. Nas horas vagas, nada de assistir à realities shows com tensão. “Não fico relaxada, mexe muito com as minhas emoções. Não consigo ver reality que não seja de confeitaria ou de música (risos)”.