Kamala Harris promete US$ 310 milhões em ajuda à América Centra para frear migração

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A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris e o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, em uma reunião virtual sobre a crise migratória no Eisenhower Executive Office Building na Casa Branca em 26 de abril de 2021, em Washington, DC

A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, prometeu nesta segunda-feira (26) ao presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, que enviará 310 milhões de dólares em ajuda humanitária à América Central para enfrentar as causas da migração irregular para os EUA.

Harris, que lidera os esforços do governo Joe Biden para administrar o fluxo de migrantes da Guatemala, Honduras e El Salvador para a fronteira EUA-México, se reuniu com Giammattei por videoconferência, antes de sua visita à América Central marcada para junho.

"À luz da situação desesperadora e do sofrimento agudo enfrentado por milhões de pessoas em El Salvador, Guatemala e Honduras, a vice-presidente Harris anunciou apoio adicional do governo dos EUA de US$ 310 milhões para ajuda humanitária e para enfrentar a insegurança alimentar", disse o gabinente de Harris em comunicado.

“Os Estados Unidos planejam aumentar a ajuda à região, fortalecer nossa cooperação para administrar a migração de forma eficaz, segura e humana”, prometeu a Giammattei durante a videoconferência.

Biden pediu ao Congresso 861 milhões de dólares para tratar das causas que impulsionam a imigração irregular da América Central, no âmbito de seu plano de 4 bilhões de dólares para a região. Sua proposta consta do projeto de orçamento do próximo ano que ainda precisa ser discutido e aprovado pelos legisladores.

"Queremos trabalhar com você para abordar as causas sensíveis e as raízes [da migração] de uma forma que dê esperança ao povo da Guatemala de que haverá uma oportunidade para eles se ficarem em casa", disse Harris a Giammattei no encontro virtual.

Mais de 172.000 imigrantes sem documentos, incluindo quase 19.000 menores desacompanhados, foram detidos em março na fronteira sul dos Estados Unidos, um aumento de 71% em um mês e o nível mais alto em 15 anos. A maioria dos migrantes vem dos três países do Triângulo Norte da América Central.

Essa área, vulnerável a desastres naturais, foi atingida por dois furacões devastadores em novembro e é afetada pela pandemia de covid-19 e uma prolongada seca.

“Estamos analisando a questão da pobreza e, portanto, a falta de oportunidades econômicas, a questão das condições climáticas extremas e falta de adaptação ao clima, assim como a corrupção e a falta de boa governança, a violência contra as mulheres, indígenas, LBGTQ e afrodescendentes", disse Harris.

Ela observou que a ideia é construir uma "estratégia abrangente" para tratar dessas questões, bilateral e multilateralmente, e com organismos internacionais.

"Estou confiante de que podemos seguir em frente e criar um senso de esperança para o futuro", disse Harris, que na terça-feira presidirá uma mesa redonda virtual com organizações comunitárias da Guatemala.

Giammattei concordou com a necessidade de "criar esperança" na Guatemala.

“O governo guatemalteco deseja ser um parceiro [dos Estados Unidos] para enfrentar (...) não só a pobreza, mas tantos males que nos afetam”, afirmou, segundo a tradução em inglês.

Além disso, ele destacou sua expectativa para a visita de Harris em junho e propôs a elaboração de um plano conjunto.

“Acredito que devemos construir uma ponte entre os governos para que possamos chegar a um acordo ... para garantir a paz, o progresso e o desenvolvimento, e também para que possamos garantir a cooperação de que necessitamos de vocês”, disse ele.

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