Vice-presidente do TRE-RJ diz que reflexo eleitoral da milícia é relevante, mas que MP atua contra

Camila Zarur
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RIO — O vice-presidente e corregedor do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), desembargador Cláudio Dell'Orto, afirmou que o reflexo eleitoral da atuação da milícia na eleição é relevante, mas disse que o Ministério Público está atuando contra candidatura que possam ter envolvimento com grupos criminoso. A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva nesta tarde, após ser questionado a respeito de uma fala do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Roberto Barroso, sobre a atuação da milícia no processo eleitoral.

A declaração do magistrado havia sido feita pouco antes, durante uma entrevista coletiva em Brasília, em que falou que a questão é de Segurança Pública. O desembargador do Rio também respondeu que as forças de segurança do Estado fazem um combate constante contra o crime, assim como Ministério Público.

— É óbvio que o reflexo eleitoral disso é muito relevante. Para isso, o Ministério Público tem ajuizado ações de impugnação de mandato eletivo, processos de cassação, de verificação de origem de fundos utilizados indevidamente em campanhas eleitorais — disse o Dell’Orto, durante uma entrevista coletiva nesta tarde.

O desembargador falou ainda sobre os casos de candidatos detidos neste domingo. Até o momento, só no Rio de Janeiro, foram detidas ao menos seis pessoas que concorriam a uma vaga para as câmaras de vereadores do estado, sob acusação de estarem fazendo boca de urna e compra de votos, segundo informações do próprio tribunal. Dell’Orto informou que os casos ainda estão em andamento e nenhum processo chegou ao TRE-RJ.

Mesários faltantes

Dell'Orto também disse que os mesários que faltaram às eleições neste domingo não prejudicaram o funcionamento das seções eleitorais. De acordo com Dell’Orto, em alguns locais houve redução do número de funcionários e convocações feitas com eleitores na fila.

— A notícia que eu tenho é que todas as seções acabaram funcionando sem nenhum problema, no sentido de talvez [ter que] reduzir o número de mesários; ao invés de você ter quatro, ficou com três, alguns até com dois. E a legislação prevê essa convocação na fila. Eu sei de casos de pessoas que foram convocadas na fila e posteriormente foram até dispensadas — disse o desembargador.

De acordo com Dell’Orto, o mesário faltoso deverá se apresentar diante de um juiz eleitoral para justificar a sua ausência. Mais cedo, o presidente do TRE-RJ, Cláudio Brandão de Oliveira, já havia falado que as pessoas que não derem a devida justificativa vão responder à Justiça Eleitoral.

No entanto, Dell’Orto que os juízes irão avaliar cada caso, principalmente levando em conta a situação econômica do mesário e pandemia, fator que, segundo o desembargador, deu ao pleito um caráter inédito.

— Isso revela que estávamos enfrentando um ineditismo enorme, que era exatamente preparar uma eleição dentro de um quadro de pandemia. E certamente os juízes, ao julgar as situações de eventuais mesários faltosos, vão avaliar essas situações — disse o desembargador.

Dell’Orto falou ainda que sua impressão era que houve uma “presença significativa” dos eleitores às urnas, mas que isso ainda não pode ser confirmado, já que os números oficiais só serão divulgados mais tarde. O desembargador informou também que, até agora, 475 urnas tiveram que ser substituídas em todo estado do Rio — 270 só na capital.