Vice-presidentes da CBF orbitam no futebol há tempos e colecionam polêmicas

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*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ - 28.05.2015 - A sede da CBF, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ - 28.05.2015 - A sede da CBF, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Aos 82 anos, coronel Nunes assumiu a presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) por ser o mais velho de um total de oito vice-presidentes da entidade máxima do futebol brasileiro.

O cartola, que ocupa o cargo pela terceira vez na carreira, ficará nele inicialmente por 30 dias, período em que dura o afastamento inicial de Rogério Caboclo, acusado de assédio sexual e moral por uma funcionária.

Se o coronel da reserva da Polícia Militar se diferencia dos outros vices da CBF por ser o mais velho, seu currículo muito se assemelha ao dos outros sete: presidiu uma federação estadual (do Pará), atua há anos nos bastidores da entidade, tem ligação (de oposição ou apoio) com os mais importantes dirigentes do futebol brasileiro e já se envolveu em polêmicas.

A seguir, conheça os outros vice-presidentes da CBF.

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ANTÔNIO AQUINO, 74

Toniquim, como é conhecido, é um dos presidentes de federações há mais tempo no cargo. Está na Federação de Futebol do Acre desde 1980, a qual passou a presidir em 1984. Para seu mandato atual, que vale até 2023, foi eleito sem que houvesse chapa de oposição.

Sua biografia no site oficial da FFA diz que, não fossem seus méritos, “certamente já o teriam destituído da presidência e colocado outro no seu lugar”. O estádio da federação leva o seu nome.

CASTELLAR MODESTO NETO, 38

Em 2014, aos 31 anos, foi eleito presidente da Federação Mineira de Futebol, tornando-se o mais jovem mandatário de federações do Brasil. Atualmente, é vice de seu sucessor, Adriano Aro.

É advogado criminalista, sócio do escritório de seu pai, Castellar Guimarães Filho, atual presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-MG e próximo de Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte. Neto já trabalhou no clube e também foi consultor da empresa que gere a Arena Independência.

Segundo o jornalista Marcel Rizzo, colunista do UOL, ele cresceu dentro da CBF muito graças ao hoje secretário-geral Walter Feldman. Foi por indicação do ex-presidente Marco Polo del Nero que o advogado entrou no Comitê de Jogadores da Fifa, que monitora a transferência de atletas.

EDNALDO RODRIGUES*

Foi presidente da Federação Bahiana de Futebol por 18 anos, até 2019, quando deixou o cargo justamente para tornar-se vice na CBF. Foi jogador no futebol amador e chegou à entidade em 1992, como diretor do departamento do interior.

Em 2015, sua gestão foi centro de uma reportagem do UOL que mostrava como a federação lucrava com o Campeonato Baiano enquanto os clubes que o disputavam tinham prejuízo. Já foi denunciado pelo Ministério Público por falsidade ideológica e adulteração no cadastro de um atleta, mas o caso foi arquivado.

FERNANDO SARNEY, 65

Filho do ex-presidente da república e ex-senador José Sarney, sucedeu Marco Polo del Nero como representante da CBF na Fifa, e atualmente faz parte da Conmebol no conselho da entidade máxima do futebol mundial.

No Maranhão, reduto da família, Fernando é dono do Grupo Mirante, conglomerado de comunicação que detém, por exemplo, a afiliada da Rede Globo na capital São Luís. Já foi alvo de operações da Polícia Federal e teve conversas interceptadas que mostram como ele tinha, dentro da própria força policial, um informante que lhe vazava detalhes das investigações.

Em diversos inquéritos da PF foi investigado por evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Em 2015, a repórter Gabriela Moreira, então no ESPN.com.br, publicou que ele fora cotado para assumir a presidência da CBF após Del Nero, mas que recusara por temer que as investigações do FBI no futebol chegassem até ele.

FRANCISCO NOVELETTO, 66

Ex-presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), sua família tem negócios no ramo imobiliário, de hotéis, da construção e de fazendas no Rio Grande do Sul. O empresário abertamente fã de Donald Trump e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em entrevistas, já se vangloriou de ter levado Dunga à seleção brasileira, em 2006 e em 2014.

Ex-presidente do clube São José, foi o mandatário da FGF de 2004 a 2020, quando foi convidado para concorrer à presidência do Internacional, mas recusou. Na CBF, chegou a ser candidato da oposição contra Marco Polo del Nero, em 2014, e diretor-executivo. Foi alçado à vice-Presidência da confederação graças a Rogério Caboclo. Atualmente, trabalha com as seleções de base.

Tanto no clube quanto na federação, sua gestão já foi alvo de investigações por problemas na contratação de jovens atletas ou de empregados, segundo o Ministério Público do Trabalho –ele nega qualquer irregularidade.

Em 2020, o segundo turno do Campeonato Gaúcho foi batizado em sua homenagem. Em 2021, ele contraiu coronavírus na mesma viagem para o Recife em que o coordenador das categorias de base da CBF, Branco, também ficou doente.

MARCUS VICENTE, 67

“Advogado; Representante comercial; Consultor; Engraxate; Gestor público; Profissional gráfico; Jornaleiro; Vendedor; Secretário”. Esta é a lista de suas profissões, conforme consta no site da Câmara dos Deputados em Brasília. Ele atuou como deputado federal por cinco mandatos, de 1997 a 2019, sempre pelo Espírito Santo e passando pelo PSDB e pelo PP.

No início da carreira, foi vereador em Ibiraçu (ES), sua cidade natal, pela Arena, de 1977 a 1980. Em Brasília, compôs a chamada “bancada da bola” e já foi apontado pelo TSE como recebedor de R$ 255 mil de empreiteiras ligadas à Operação Lava-Jato.

Foi presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo de 1994 a 2015. A CPI da Nike/CBF apontou que sua gestão teria deixado de recolher impostos e não indicado a finalidade de verbas recebidas da confederação. Já na própria CBF, chegou em 1995, foi importante braço político de Ricardo Teixeira e assumiu como presidente interino , após o afastamento de Del Nero, em 2015.

GUSTAVO DATAS FEIJÓ, 52

Chefe das delegações da seleção brasileira campeã da Copa América de 2013 e da Olimpíada em 2016, o político já foi prefeito de Boca da Mata (AL) e é aliado do senador Renan Calheiros (MDB).

Em 2019, já vice da CBF, foi afastado da prefeitura pela Justiça, suspeito de comandar um esquema que desviou R$ 28 milhões desde 2013. Ele também já foi investigado pelo recebimento de dinheiro da confederação por meio de “caixa 2” e teve candidatura questionada pela Lei da Ficha Limpa.

De 2008 a 2015, presidiu a Federação Alagoana de Futebol. Deixou o cargo para seu filho, Felipe Feijó –que já foi preso em flagrante por porte ilegal de armas–, assumir. Em 2019, Felipe chefiou a delegação da seleção sub-17 em amistosos.

*A idade de Ednaldo Rodrigues não foi informada até a publicação desta reportagem

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