Vice de Rodrigo acumula saltos na política, ações judiciais e avanço de patrimônio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Escolhido para ser o candidato a vice-governador na chapa de Rodrigo Garcia (PSDB) ao Governo de São Paulo, o deputado federal Geninho Zuliani (União Brasil), 46, acumula ações judiciais por improbidade administrativa.

O deputado também triplicou seu patrimônio na última década, que saltou de R$ 321 mil em 2012, em valores corrigidos, para R$ 1 milhão nestas eleições.

Os processos judiciais se referem à atuação de Geninho como prefeito de Olímpia (SP), entre 2009 e 2016.

Por meio de sua assessoria, Geninho diz ser transparente em relação a seus bens e afirma não ter nenhuma condenação criminal.

Geninho tem uma condenação pela nomeação, enquanto prefeito, de advogados em cargos de confiança, mas que não faziam parte do quadro de servidores públicos para defender interesses do município.

O acórdão em segunda instância manteve sanções da condenação como perda de direitos políticos, mas ainda cabe recurso da decisão.

Em outra ação, ele também foi condenado em primeira instância pela nomeação de pessoas sem concurso público para cargos que formalmente seriam qualificados pela lei como cargos em comissão, mas que, na prática, exerciam funções típicas de cargos efetivos.

O político foi incluído em uma lista da ONG Transparência Brasil com parlamentares com influência no projeto que alterou a lei de improbidade administrativa no país. O material lista sete processos em nome dele.

Um deles versa sobre suspeita de direcionamento de licitação para contratar uma empresa investigada por fraude em concursos públicos.

A atuação de Geninho, graduado em gestão pública pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), sempre foi na política e teve início como líder estudantil. Ele foi vereador por dois mandatos antes de ser prefeito.

Olímpia, cidade a 430 km da capital, se destaca por ter se tornado um improvável balneário no noroeste paulista. Em paralelo aos dois mandatos de Geninho no Executivo, o turismo do município vivenciou um boom e hoje recebe quase 3 milhões de visitantes por ano.

Natural de Ribeirão Pires (SP), Geninho mudou-se com a família ainda na infância para Olímpia, onde seus pais mantinham um modesto comércio de bebidas.

Na eleição de 2004, quando se reelegeu vereador, ele não declarou nenhum centavo de bens ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Já no pleito municipal seguinte, apresentou uma lista totalizando R$ 118 mil em valores corrigidos.

A sua declaração de bens hoje é de R$ 1.031 milhão conforme informado no registro de sua candidatura ao TSE.

Para fazer a sua última campanha, a de deputado federal em 2018, Geninho arrecadou R$ 617 mil somente com pessoas físicas e contou com R$ 660 mil em doações de partidos.

Entre seus patrocinadores de campanha, estão nomes como Wilson de Almeida Junior, um dos sócios da construtora Pacaembu, e o empresário bilionário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan.

Desde o início dos anos 2000, a carreira política de Geninho está atrelada a Rodrigo Garcia, de quem foi coordenador de campanhas, assessor parlamentar e subordinado na secretaria da Habitação em 2017, quando o atual governador chefiava a pasta na gestão de Geraldo Alckmin (PSB).

No PFL (que se tornou o DEM e hoje é a União Brasil), foi eleito vereador em 2000 e reeleito no mandato seguinte. Nesse período, coordenou campanhas de Rodrigo na região. O governador foi filiado ao DEM até 2021, quando migrou para o PSDB.

Entre 2007 e 2008, Geninho foi servidor da Assembleia Legislativa lotado no gabinete de Rodrigo. O então deputado estadual também nomeou como assessor especial o irmão de Geninho, Carlos, e Fernanda, a primeira esposa do deputado. Geninho atualmente é casado com Ana Cláudia.

À reportagem Geninho diz que conheceu Rodrigo em 1997, quando o atual governador era candidato a deputado estadual. Os dois têm relação próxima.

"Vi nele um jovem com ideais semelhantes aos meus, dedicado, disciplinado, com foco na gestão pública para ajudar e mudar a vida das pessoas. Foi nessa época que começamos a trabalhar juntos pela região noroeste de São Paulo, e ali nasceu uma parceria", declarou.

A leitura entre aliados do governador é a de que ele optou por um vice que não deve lhe criar problemas e tende a ser totalmente fiel —o tucano quer poder controlar sua eventual sucessão em 2026.

A crítica de apoiadores de Rodrigo é a de que Geninho não agrega em termos eleitorais e tem perfil muito semelhante ao do governador, o que não seria o ideal dado que o tucano está empatado com Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ameaçado de não ir ao segundo turno.

Desconhecido no cenário nacional, Geninho foi eleito deputado federal com 89 mil votos —até então o seu cargo máximo fora o de prefeito numa cidade com 55 mil habitantes.

O deputado diz que alcançou essa votação devido à projeção de Olímpia como polo turístico nacional e aos cargos que ocupou no interior, como presidente de associações de municípios.

"Coordenei o Cidade Legal, programa mantido pela Secretaria de Estado da Habitação e que visa a regularização fundiária, atendendo todos os municípios paulistas", afirma.

Na Câmara, Geninho teve destaque como relator do novo marco legal do saneamento, uma das principais propostas aprovadas pelo governo Jair Bolsonaro (PL) e que tem sido usada, inclusive, como bandeira na campanha de Tarcísio, que é o candidato do bolsonarismo.

De acordo com o Congresso em Foco, Geninho votou a favor do governo em 89% das propostas.

"Toda a minha evolução patrimonial consta não só no portal do Tribunal Superior Eleitoral, como também no meu Imposto de Renda e é compatível com meus rendimentos como empresário e como parlamentar", afirmou Geninho por meio da assessoria.

Em relação aos processos por improbidade, Geninho declarou não possuir nenhuma condenação criminal. "Nos processos cíveis, não fui condenado em nenhuma ação com pena de enriquecimento ilícito, dano ou prejuízo ao erário", completa.

Sobre o processo relacionado à nomeação de advogados em cargos de confiança, a nota afirma que o processo ainda está em julgamento e que "comprovou-se que os serviços foram prestados, sem qualquer condenação por lesão ao erário ou perda patrimonial".

Em relação à condenação relacionada à contratação de pessoas em cargos de confiança, a nota admite a sentença, mas diz que "foi afastado ressarcimento de danos ou prejuízo ao erário" e ressalta que o processo está "em fase de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça".

A respeito da suspeita de direcionamento de licitação, a assessoria afirma ter pedido que o caso fosse julgado improcedente "em virtude do reconhecimento da prescrição da acusação e impossibilidade de condenação" e aguarda decisão.

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