A vida nas 'microcasas' do coração da antiga Saigon

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Pham Quoc Cong em sua 'microcasa' de 2 m2, em 2 de maio de 2018 na Cidade Ho Chi Minh, no Vietnã

Pham Quoc Cong vive com seis membros de sua família em um cômodo de 2m2 na Cidade Ho Chi Minh, a antiga Saigon. É o sacrifício que tem de fazer para permanecer no centro de uma das cidades asiáticas onde os preços dos imóveis disparam.

Este operário da construção mora em um cômodo onde as camas, a geladeira e os brinquedos das crianças ocupam praticamente todo espaço.

Com frequência, ele dorme do lado de fora, em uma espreguiçadeira.

"É muito difícil encontrar um lugar seco durante a estação de chuvas", diz este homem de 49 anos que vive nesse lugar desde 1975.

Na Cidade Ho Chi Minh, a capital econômica do Vietnã, o preço dos terrenos subiu para quase 18.000 euros (21.000 dólares) o m2, expulsando seus moradores com condições menos favoráveis para a periferia.

"Mas estamos acostumados com esse bairro. Se formos para o outro lado, não conseguiremos sobreviver", explica Cong, cujas irmãs e sobrinha, que moram todas com ele, são vendedoras ambulantes na área.

Essas casas improvisadas estão hoje cercadas de projetos imobiliários modernos, ou escondidas atrás de pontos de venda de comida nas ruas.

Mel Schenck, que estuda a arquitetura em plena mutação da antiga Saigon, diz que essas "microcasas pitorescas" estão condenadas a desaparecer paulatinamente.

Algumas remontam à época da colonização francesa, quando o bairro ainda era coberto de arrozais.

Nguyen Van Truong, que vive em outra dessas microcasas - cinco pessoas em 6 m2 - está preocupado com a construção de um prédio de luxo justo ao lado de seu terreno.

"Não acredito que a gente vá conseguir uma boa indenização em caso de expulsão", desespera-se este homem de 62 anos.

Neste país dirigido por um partido comunista todo-poderoso e onde reina a corrupção, as autoridades municipais são suspeitas de enriquecerem cedendo terrenos aos promotores imobiliários e indenizando os moradores com um preço muito abaixo do valor de mercado.

"Mas preferiria morrer a me ver forçado a abandonar este lugar", garante.