Vida parou na região birmanesa dos rohinyas, alerta Cruz Vermelha

1 / 2
Cidades incendiadas perto de Maungdaw, no estado de Rakhine, em 10 de outubro de 2017

Os muçulmanos rohinyas e os budistas que vivem no estado de Rakhine sentem tanto medo uns dos outros que a vida praticamente parou nesta região do oeste de Mianmar, contou nesta quarta-feira (13) um encarregado da Cruz Vermelha.

Mais de 620.000 pessoas que pertencem a esta minoria muçulmana fugiram para o vizinho Bangladesh, desde o lançamento, no fim de agosto, de uma campanha de repressão do exército birmanês contra os rebeldes rohinyas no norte do estado de Rakhine.

A Cruz Vermelha, atualmente a única organização de ajuda internacional com acesso a esta região, calcula que restem apenas 300.000 rohinyas na região.

Dominik Stillhart, diretor de Operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), destacou, no entanto, que esta cifra deveria ser tomada "com muita precaução", pois não pôde ser realizado até o momento um censo preciso.

Durante coletiva de imprensa, em Genebra, ao final de uma visita de três dias, Stillhart declarou que a situação no estado de Rakhine parecia ter se "estabilizado", apesar de alguns incidentes.

As pessoas continuam fugindo, a um ritmo de 300 pessoas por dia, acrescentou.

Stillhart disse se sentir surpreendido pela pouca gente nas estradas, nos mercados e nos campos.

"A vida parou bruscamente (...) Não tem quase ninguém do lado de fora", declarou, destacando que os rohinyas, mas também os budistas nos povoados vizinhos parecem sentir medo.

A ONU acusou as autoridades birmanesas de realizar uma limpeza étnica contra os rohinyas. Sem querer comentar esta acusação, Stillhart declarou que tinha visto pessoalmente vários povoados incendiados.

Igualmente relatou que a região não estava muito familiarizada e que não tinha aparentemente nenhum controle nos deslocamentos da população.

Parece que são os moradores que limitam seus próprios movimentos, afirmou.