No vídeo do beijo grego de Wagner Santiago o verdadeiro problema é o vazamento

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Wagner Santiago (Foto: Reprodução / Twitter)
Wagner Santiago (Foto: Reprodução / Twitter)

Só se fala do vídeo íntimo do ex-'BBB' Wagner Santiago, que vazou no Twitter após ser retirado do OnlyFans, onde foi postado. A gravação faz parte do conteúdo adulto que Wagner produz para a plataforma de assinatura e caiu no feed aberto na manhã desta segunda-feira (9).

Seria fácil usar o assunto para falar sobre o quanto o público da rede social - e em especial os homens - tem dificuldade de aceitar que a sexualidade masculina, assim como a feminina, é mais do que sexo com penetração, e que a região anal é, sim, uma fonte de prazer para homens e para mulheres - o beijo grego é apenas uma forma de explorar esse ponto.

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Mas o assunto, aqui, é justamente o fato de que conteúdos íntimos viralizaram em uma rede social aberta - e o problema não é o conteúdo, mas o vazamento em si. Sim, é preciso considerar que o vídeo foi postado pelo próprio Wagner, mas em um ambiente (online) fechado, apenas para assinantes. Tirar o conteúdo dali, sem autorização, caracteriza um vazamento de conteúdo sensível de forma não autorizada.

"É um conteúdo privado e não é divulgado de maneira proposital como muitos pensam, em respeito a quem me prestigia lá no Onlyfans.", escreveu o ex-'BBB' na sua conta no Twitter. "Estou tomando providências, sim ou claro? Depois vão lá no minha DM chorar as pitangas... Aí já é tarde demais!"

Vale lembrar que divulgar imagens íntimas de alguém sem autorização é considerado crime no Brasil. A questão é contemplada a partir do artigo 218-C do Código de Processo Penal, como parte da lei da importunação sexual (Lei 13.718/2018). É considerado crime: "oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio – inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia". A pena é de um a cinco anos e pode ser aumentada no caso de "revenge porn", ou seja, quando um ex-namorado divulga imagens íntimas da mulher como uma vingança pelo término do relacionamento.

Importante notar, nesse caso, que Wagner é homem e é possível que a distribuição indesejada gere mais audiência do que qualquer outra coisa - afinal, é uma pessoa famosa que propositalmente produz conteúdo adulto para um site pago na internet. O vazamento continua sendo a maior questão aqui (e não o beijo grego em si, que fique claro - as pessoas têm mais é que descobrirem o prazer além daquilo que acham "certo"), mas o que aconteceria se ele fosse uma mulher?

Aliás, a lei que define a questão de distribuição de imagens íntimas tem um artigo que fala sobre vingança e humilhação justamente porque essa é uma questão que atinge muito mais as mulheres do que os homens. Um homem que aparece nu na internet ganha muita audiência, talvez muitos likes e alguns milhares de seguidores a mais. A mulher que aparece nua na internet é xingada e humilhada, e o seu caráter é questionado. Dos dois lados, claro, existem consequências à autoestima da pessoa - ainda mais quando o vazamento é indesejado.

No entanto, é um fato que as mulheres, historicamente, são julgadas pelo que fazem com os seus corpos e, mesmo o mundo tendo evoluído tanto, a sexualidade feminina é considerada um tabu tanto quanto o prazer anal masculino. Talvez até mais, já que uma mulher que transa, que gosta de sexo, que fala abertamente sobre isso e que não tem vergonha de mostrar o próprio corpo, incomoda. Deborah Secco que o diga.

Por outro lado, considera-se normal um homem que fala de sexo e que transa com várias mulheres. De fato, esse comportamento é inclusive incentivado desde a infância, o que forma o conceito de masculinidade tóxica que, na vida adulta, impede os homens de falarem abertamente de seus sentimentos e, de novo, de explorarem outras formas de prazer sem acreditar que isso diz algo sobre quem eles são como pessoa.

De qualquer maneira, o que é importante notar, nesse caso, é que mais do que a polêmica do beijo grego (sejamos sinceros, já não passamos do tempo de nos surpreendermos com os hábitos sexuais de alguém?), é o fato de ninguém questionar a divulgação indesejada de um conteúdo íntimo. Isso abre um precedente. Assim como evitar dar palco para quem não merece palco, a mesma premissa para conteúdos desse tipo (senão mais) é válida: não compartilhe, não assista, não colabore para a sua distribuição ilegal. Principalmente, diga-se de passagem, se a pessoa filmada ou fotografada for uma mulher.

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