Vídeo-dossiê mostra violência policial contra população da Cracolândia durante pandemia

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Documento foi apresentado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo para discussão sobre a gravidade da situação e os gargalos do atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade (Foto: Allan White/Fotos Públicas)
Documento foi apresentado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo para discussão sobre a gravidade da situação e os gargalos do atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade (Foto: Allan White/Fotos Públicas)
  • Vídeo-dossiê registrou agressões ocorridas entre dezembro de 2020 e março de 2021

  • Uma nova audiência na Câmara Municipal de São Paulo será marcada para discutir a falta de políticas de proteção às pessoas em situação de rua que vivem na Cracolândia

  • Segundo vereadora do PSOL, violência está ligada a um processo de gentrificação da região central da capital paulista

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões

Um vídeo-dossiê elaborado pelo coletivo Craco Resiste registrou imagens de ataques violentos e sem motivação por agentes do Estado contra a população em vulnerabilidade social que vive na região da Cracolândia, no centro da cidade de São Paulo. Durante a pandemia da Covid-19, os moradores também têm passado por um processo de expulsão dos cortiços e pensões populares na área.

O documento intitulado de "Não é confronto, é massacre" mostra imagens de agressões ocorridas entre dezembro de 2020 e março de 2021. O dossiê foi apresentado na Câmara Municipal de São Paulo no dia 13 de maio, em uma audiência da Comissão Extraordinária de Cidade e Direitos Humanos presidida pela vereadora Erika Hilton (PSOL).

“Tais condutas violam os direitos humanos e fazem parte do projeto político, empregado pela Prefeitura e pelo Governo do Estado de São Paulo, de expulsão das pessoas pobres e que estão em situação de vulnerabilidade social das áreas centrais da cidade; um projeto político de gentrificação”, apontou a vereadora.

Uma nova audiência sobre a situação dessa população da Cracolândia estava marcada para o dia 20, porém outra data será definida por conta do luto decretado após a morte do prefeito Bruno Covas (PSDB), no dia 16, vítima de câncer.

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A proposta da audiência é que a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Berenice Giannella, explique a falta de acesso dos serviços que atendem e acolhem as pessoas em situação de rua. Também foram convidadas para falar na audiência pública, Cássia Travensolo, supervisora da Assistência Social da região da Sé; Anna Trotta, promotora de Justiça de Direito Humanos do Ministério Público do Estado de São Paulo; Fernanda Balera, defensora Pública do Estado de São Paulo e representantes da sociedade, como o Fórum da Cidade de São Paulo da População em Situação de Rua e o Movimento Nacional População de Rua.

O censo feito pela prefeitura, em 2015, apontou uma população em situação de rua de 16 mil pessoas. No levantamento de 2019, antes da pandemia, o total foi de 24,3 mil, uma alta de 51% em quatro anos. Não existe dado específico sobre quantas pessoas vivem na Cracolândia.

Atualmente, na região da Luz, a gestão municipal mantém o projeto Redenção, com unidades emergenciais de atendimento, conhecidas como Atende, para acolhimento e atendimento de dependentes químicos, e são disponibilizados serviços de higiene pessoal, alimentação e ressocialização.

Quando a temperatura na cidade fica abaixo de 13ºC, a prefeitura coloca em ação a Operação Baixas Temperaturas, com acolhimento de pessoas em situação de risco para locais protegidos do frio. Durante esse período, as vagas nos Centros de Acolhida são ampliadas de acordo com a demanda.

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