Temer ri da própria carta. É esse o 'mestre' da costura política?

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SAO PAULO, BRAZIL - AUGUST 12: President of Brazil Jair Bolsonaro and Brazil's former President Michel Temer, designated to represent Brazil in the mission to help Lebanon, talk during a visit to BASP (Sao Paulo Air Base) to accompany the Brazilian delegation's departure to Lebanon on August 12, 2020 in Sao Paulo, Brazil. Last week, an explosion in the port area of Beirut, the capital of Lebanon, left at least 160 dead and thousands injured. The delegation's mission is to deliver food, medicine and hospital supplies, including 100,000 surgical masks and mechanical respirators. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Jair Bolsonaro e o antecessor, Michel Temer. Foto: Alexandre Schneider (Getty Images)

Numa mesa de bacanas, cercados por taças de cristal, os convivas riem do jeitão tosco de falar do presidente Jair Bolsonaro, presente ali apenas pela imitação, feita com a pena da galhofa e a tinta da desmoralização por um dos presentes.

Na fala fidedigna, o comediante ridiculariza a carta divulgada pelo ex-capitão com acenos à pacificação nacional depois de prometer desobedecer as ordens judiciais de um “canalha” do Supremo Tribunal Federal e mobilizar até caminhoneiros para emparedar a República. Mais gargalhadas.

Sommeliers da piada alheia não veriam problema na cena não fosse um detalhe: entre os presentes que caíram na risada estava o próprio autor da carta, Michel Temer. Na semana passada, ele foi chamado às pressas para apagar o incêndio provocado por Bolsonaro. Um incêndio com potencial de parar o país.

Fogo contido, o arquiteto da pacificação nacional, com Supremo, com tudo versão 2021, foi logo coroado como o agente moderador do qual o país precisava para voltar aos trilhos.

Dessa vez o registro da cena não precisou ser feito por sistemas de gravação escondidas na roupa de dono de frigorífico enrolado com a Justiça e recebido no palácio no meio da noite. Foi feita às claras, divulgada e viralizada como num rastilho.

Sim: Temer, sentado com alguns dos principais inimigos de Bolsonaro, acabava de endossar a performance desmoralizante do presidente que jurou querer ajudar. Ele mal cotinha o riso, como se tivesse feito alguém (mais um?) de bobo.

A simples divulgação de seu sorriso satisfeito com a paródia joga às favas a outro mito. A de mestre da articulação política.

Vai faltar inteligência assim lá na casa do empresário que cedeu sua mansão para a campanha de Bolsonaro em 2018 e virou suplente do senador Flávio Bolsonaro. O dono do QG, também presente ao convescote, é o pai do imitador à mesa.

Naquela cena, a pacificação articulada por Michel Temer se mostrou tão frágil quanto as taças servidas aos convidados.

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