Vídeo monetizado no YouTube mente sobre fuga de Alexandre de Moraes do Brasil

Presidente do TSE Alexandre de Moraes discursa em coletiva de imprensa em 30 de outubro, em Brasília (Foto: Getty Images 2022 / Arthur Menescal)
Presidente do TSE Alexandre de Moraes discursa em coletiva de imprensa em 30 de outubro, em Brasília (Foto: Getty Images 2022 / Arthur Menescal)

Um homem alega em um vídeo no YouTube que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes teria fugido do Brasil na última terça-feira (8) para não receber o relatório das FFAA (Forças Armadas) sobre o sistema eletrônico de votação. Segundo ele, o relatório comprovaria uma suposta fraude nas urnas.

Essas informações, porém, são falsas. O ministro participou de compromissos no Brasil nos últimos dias e o documento das FFAA não atestou irregularidades nas eleições.

A desinformação foi publicada no canal de Raiam Santos. O conteúdo ultrapassou 935 mil visualizações no YouTube nesta quinta-feira (10) e segue monetizado. Apesar de o canal não estar disponível no Brasil, seus vídeos podem ser acessados normalmente.

Captura de tela de vídeo com falsas alegações sobre fuga de Alexandre de Moraes do Brasil (Fotos: YouTube / Reprodução)
Captura de tela de vídeo com falsas alegações sobre fuga de Alexandre de Moraes do Brasil (Fotos: YouTube / Reprodução)

O conteúdo falso publicado no YouTube na última terça-feira (8) alega que o ministro Alexandre de Moraes teria fugido do Brasil sob o pretexto de participar de um evento nos Estados Unidos. O evento em questão é o Brazil Conference, que será realizado em Nova York nos dias 14 e 15 de novembro. A conferência já havia sido marcada há meses.

Não é verdade que Moraes tenha deixado o Brasil em 8 de novembro. Nessa data, o ministro participou de um encontro, à noite, com o presidente do CFOAB (Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil), José Alberto Simonetti para receber um relatório que atestou a segurança das urnas. No dia seguinte, ele se reuniu com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Além disso, é falso que o relatório enviado pelas Forças Armadas ao TSE, na última quarta-feira (9), comprove fraude nas urnas. Embora o documento sugira melhorias e critique as condições impostas à fiscalização, ele não apresenta indícios de irregularidades e atesta que o resultado foi compatível com as informações do TSE. "Conclui-se que a verificação da correção da contabilização dos votos, por meio da comparação dos Boletins de Urnas (BU) impressos com dados disponibilizados pelo TSE, ocorreu sem apresentar inconformidade", diz o documento.

Procurado, o autor do vídeo não retornou à reportagem do Yahoo! Notícias até a publicação desta matéria. A assessoria de imprensa do YouTube informou que o canal em questão é objeto de ordem judicial sigilosa do TSE e por isso optou por não comentar o caso.

Há indícios de fraude nas eleições?

É falso que qualquer fraude nas urnas tenha sido comprovada. Ao contrário, instituições que atuaram como observadores nas eleições brasileiras reforçaram a credibilidade do sistema.

Uma delas foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira como exemplar para a América Latina.

De maneira semelhante, a Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) afirmou em um relatório preliminar que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível". O observador concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) elogiou a imparcialidade do TSE e ressaltou a confiabilidade das urnas eletrônicas. A instituição defendeu que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral e classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias".

O TCU (Tribunal de Contas da União) realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação e não identificou qualquer divergência nas mais de 5 milhões de informações de boletins de urna que analisou.

Conteúdo semelhante foi verificado pelo Boatos.org.