Vídeo mostra funcionários 'quebrando' colunas antes do prédio desabar

Vídeo mostra operário fazendo reparos nas colunas antes do colapso do edifício. (Foto: Reprodução/G1)

Um novo vídeo, divulgado pelo portal G1 na tarde desta sexta-feira (18), revela funcionários fazendo reparos e quebrando partes de colunas do Edifício Andréa momentos antes dele desabar, em Fortaleza (CE). Até agora, o Corpo de Bombeiros já confirmou seis mortes e ainda busca quatro pessoas que estariam embaixo dos escombros, além de ter resgatado sete sobreviventes.

As imagens de circuito interno mostram engenheiros e trabalhadores, que segundo o G1 teriam sido contratados pela síndica do prédio para fazer uma reforma no imóvel. Momentos após o início das obras, realizada nesta terça-feira (15), o prédio de sete andares e com 14 apartamentos desmoronou.

Além dos funcionários da empresa contratada, a própria síndica do edifício, Maria das Graças Rodrigues, de 53 anos, também aparece no vídeo acompanhando os trabalhos. Ela está entre os desaparecidos.


ASSISTA

FALHAS ESTRUTURAIS

Uma vistoria técnica no edifício detectou pelo menos 135 pontos com falhas estruturais na área do pilotis, como é chamado o conjunto de colunas de sustentação do edifício. O Corpo de Bombeiros confirmou que mais um corpo foi retirado dos escombros, aumentando para seis o número de mortos do desabamento.

As falhas foram identificadas no dia 19 de setembro por uma empresa contratada pela síndica do edifício, que segue desaparecida nos escombros. Maria das Graças Rodrigues, de 53 anos, havia pedido um orçamento no mês passado e que foi entregue no último dia 30. A proposta, no entanto, não foi aprovada na assembleia dos moradores.

Engenheiro e presidente da empresa, Alberto Cunha afirmou ao portal que uma concorrente ofereceu o serviço com menor custo. “Quando o meu funcionário ligou, ela disse que a nossa proposta não foi aceita em assembleia, porque nosso preço tinha sido muito caro e o outro tinha sido 30% abaixo da nossa proposta, e a pessoa ainda dava a pintura do pilotis”.

ASSISTA AO MOMENTO DO DESABAMENTO

Entre os pontos críticos, eles diagnosticaram rachaduras nos pilares, concreto soltando da armação e ferros soltos. Na casa de bomba, onde é feito o transporte da água da cisterna para a caixa, o engenheiro afirma que o ambiente concentrava a maior parte das falhas.

“Tem uma área da casa de bomba que já estava muito crítica. As ferragens estavam todas expostas se deteriorando, combogós e pilares comprometidos”. Ainda conforme o engenheiro, Maria das Graças Rodrigues já tinha ciência dos riscos. “Ela estava se mostrando preocupada e queria resolver isso logo e que nós mandássemos orçamento o quanto antes”.

Um vídeo que circula nas redes sociais revela a estrutura de pilastras que supostamente seriam do prédio. O vídeo, segundo o jornal O Povo Online, seria de uma moradora do prédio e teria sido gravado na segunda-feira (14). Nele, são mostradas as estruturas de duas pilastras que seriam do edifício residencial, envoltas em sacos plásticos e com vigas de ferro à mostra. A moradora, ainda segundo O Povo Online, enviou o vídeo na noite de segunda em um grupo de WhatsApp.

VÍTIMAS

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, o corpo da 6ª vítima retirada é de Rosane Marques de Menezes, de 56 anos. O corpo dela foi retirada dos escombros, às 21h10, dessa quinta-feira (17). “Outras quatro pessoas foram reportadas por parentes como presentes no edifício no momento do desmoronamento e seguem como desaparecidas. Sete pessoas foram resgatas com vida pelos Bombeiros”, diz ainda a nota divulgada pela secretaria.

Além de Rosane Marques de Menezes, morreram também na tragédia: Frederick Santana dos Santos, 30 anos; Izaura Marques Menezes, de 81 anos; Antônio Gildásio Holanda Silveira, de 60 anos; Nayara Pinho Silveira, 31 anos; e Maria da Penha Bezerril Cavalcante, de 81 anos.

O prédio desabou na manhã de terça-feira (15), por volta das 10h30. Localizado no cruzamento da Rua Tibúrcio Cavalcante com Rua Tomás Acioli, no Bairro Dionísio Torres, as informações são de que o imóvel vinha passando por obras.

De acordo coma a Secretaria de Segurança, os trabalhos de busca das vítimas do desabamento continuam ininterruptamente até que todas as vítimas sejam retiradas dos escombros. “Servidores do Sistema de Segurança cearense atuam de forma ininterrupta nas buscas por sobreviventes”.