Vídeo mostra o momento em que Estados Unidos lançam a “mãe de todas as bombas” no Afeganistão

O momento em que os militares norte-americanos lançaram a “mãe de todas as bombas” em um alvo do Estado Islâmico no Afeganistão, matando 36 combatentes, foi capturado em vídeo.

A filmagem, divulgada por Washington na sexta-feira, mostra alvos pairando sobre um ponto, aos pés de uma cadeia de montanhas no leste do país.

Em segundos, a maior bomba não-nuclear já usada pelos Estados Unidos atinge um complexo de cavernas e túneis do EI.

Ao chocar-se com a terra, ela levanta uma grossa nuvem de poeira, enquanto destroços são vistos voando pelos ares.

A arma, de cerca de 10 toneladas, foi lançada sobre um complexo de cavernas e túneis do EI, numa área remota, no leste do país.

De acordo com o Ministério da Defesa do Afeganistão, a explosão matou 36 combatentes do EI e não feriu civis.

A bomba também destruiu a base usada pelos combatentes e acabou com um grande esconderijo de armas e munição.

O primeiro-ministro do Afeganistão, Abdullah Abdullah, confirmou que o ataque foi realizado em coordenação com o governo e explicou que “muito cuidado foi tomado para evitar riscos para os civis”.

A bomba Massive Ordnance Air Blast (MOAB), amplamente conhecida nas Forças Armadas norte-americanas como a “mãe de todas as bombas”. Crédito: Departamento de Defesa via Getty Images

Shah Hussain Murtazawi, porta-voz da presidência, disse à BBC que Siddiq Yar, comandante do EI, estava entre os mortos.

Ele disse que os combatentes nos túneis “haviam vindo do Paquistão e estavam perseguindo pessoas na região”.

A bomba Massive Ordnance Air Blast (MOAB) usada é amplamente conhecida entre os militares norte-americanos como a “mãe de todas as bombas”. Esta é a primeira vez que a arma foi usada contra um inimigo.

A bomba, também conhecida como GBU-43B, foi lançada no distrito de Archin, na província de Nangarhar, perto da fronteira com o Paquistão.

O tamanho da bomba, de 9 metros de comprimento, fez com que fosse necessário usar o avião norte-americano Air Force MC-130 com uma porta traseira, e a arma foi empurrada para fora da aeronave em vez de ser lançada a partir de um compartimento específico.

Um oficial dos Estados Unidos disse à Fox News: “Nós a chutamos pela porta de trás”.

A bomba explode no ar e cria uma enorme onda de choque. A pressão excessiva resultante colapsou os túneis.

Um oficial disse: “É uma explosão definitiva. Todos na área são obliterados, os ouvidos ficam sangrando, tudo é completamente destruído”.

O General John Nicholson, comandante das forças norte-americanas no Afeganistão, disse: “Conforme as perdas do EI aumentam, eles estão usando bombas caseiras, bunkers e túneis para fortalecer suas defesas”.

“Esta é a munição certa para reduzir estes obstáculos e manter o momento favorável da nossa ofensiva”.

Os militares norte-americanos afirmaram ter feito todo o possível para evitar a morte de civis.


Trump sobre lançar a ‘MOAB’ no Afeganistão: “Eu não sei se isso envia uma mensagem para a Coreia do Norte”.

Um vídeo divulgado pelo Pentágono mostra uma enorme nuvem de fumaça após a explosão da bomba.

Uma avaliação dos danos estava sendo realizada.

Enquanto a MOAB pesa cerca de 10 toneladas, cada uma das Tomahawks lançadas na Síria tinha meia tonelada.

Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, disse que a bomba atingiu o alvo às 19h, hora local no Afeganistão.

Ele disse: “Nós tínhamos como alvo um sistema de túneis e cavernas que os combatentes do EI usavam para se mover livremente, fazendo com que fosse mais fácil atacar consultores norte-americanos e forças afegãs. Nós precisamos negar a eles o espaço operacional”.

“Os Estados Unidos fizeram todo o necessário para evitar a morte de civis e danos colaterais”.


Sean Spicer, secretário de imprensa da Casa Branca, diz que a #MOAB tinha como alvo um “sistema de túneis e cavernas” usado pelo EI.

Oficiais norte-americanos disseram que a Inteligência sugeriu que o grupo do EI no Afeganistão estava majoritariamente baseado em Nangarhar e na província vizinha de Kunar.

Eles acreditam que o movimento tem apenas 700 combatentes, mas oficiais afegãos estimam que o número esteja mais próximo de 1.500.

A ramificação do EI no Afeganistão é suspeita de ter realizado diversos ataques.

O Talibã afegão, que está tentando derrubar o governo apoiado pelos Estados Unidos em Cabul, é ferozmente oposto ao EI, e os dois grupos já entraram em conflito, em sua busca para expandir território e influência na região.

Numa análise de 2003 a respeito da legalidade do uso da bomba, o Pentágono concluiu que ela não poderia ser classificada como uma “assassina indiscriminada” sob a Lei do Conflito Armado.

“Embora a arma MOAB deixe rastros significativos, ela é diferenciada e requer um lançamento deliberado na direção de um alvo,” afirmou a análise.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, disse: “Muito, muito orgulho das pessoas. Realmente, foi outro trabalho bem-sucedido. Nós estamos muito, muito orgulhosos dos nossos militares. Foi outro evento de sucesso”.

“Se você olhar o que aconteceu ao longo das últimas oito semanas e comparar com o que realmente aconteceu nos últimos oito anos, você verá que há uma tremenda diferença. Tremenda diferença”.

Ao ser questionado se havia autorizado o uso da bomba, Trump disse: “Todo mundo sabe exatamente o que aconteceu, e o que eu faço é autorizar os meus militares”.

“Nós temos as melhores Forças Armadas do mundo e eles fizeram seu trabalho da forma como costumam fazer, então nós lhes demos autorização total. E é isso que eles estão fazendo. E honestamente, é por isso que eles têm tido tanto sucesso ultimamente”.

Perguntado se o ataque enviava uma mensagem para a Coreia do Norte, ele disse: “Eu não sei se isso envia uma mensagem. Não faz diferença alguma se envia ou não. A Coreia do Norte é um problema. O problema será resolvido”.

Trump disse que confia no presidente chinês, Xi Jinping, para ajudar a controlar as ambições nucleares da Coreia do Norte.

Ele disse: “Eu passei a respeitar e gostar muito do presidente Xi. Ele é um homem muito especial. Eu acho que ele vai se esforçar bastante”.

Nick Allen
The Telegraph