Vídeo revela como foi julgamento final do Maníaco do Parque

AP Photo/Paulo Pinto, Agencia Estado

Um vídeo obtido com exclusividade pelo G1 mostra como foi o último julgamento de Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, em julho de 2002.

Pelos crimes de assassinato e atentado violento ao pudor contra cinco mulheres, cometidos há 20 anos no Parque do Estado, na zona Sul de São Paulo, Pereira foi condenado a 121 anos, 8 meses e 20 dias de prisão.

O motoboy foi acusado de matar as estudantes Isadora Fraenkel, de 19 anos, e Selma Ferreira Queiroz, de 17; as vendedoras Raquel Mota Rodrigues, 23, e Patrícia Gonçalves Marinho, 24; a telefonista Rosa Alves Neta, 21; e duas mulheres não identificadas entre janeiro a agosto de 1998.

As cenas foram cedidas ao portal G1 pelo então promotor Edílson Mougenot Bonfim, atualmente procurador. Ele pediu que as imagens fossem gravadas, com autorização judiciais, Nelas, Bonfim tenta convencer os sete jurados que condenem o homem.

“Este, realmente, é o maior serial killer da história do direito penal”. Durante as três horas que foram registradas, o representante do Ministério Público (MP) pede que o júri julgasse o Maníaco do Parque como imputável, ou seja, que ele pudesse responder criminalmente por seus atos, ciente dos crimes que cometeu.

Os advogados dele na época, Maria Elisa Munhol, que faleceu em 2010, e Lineu Evaldo Engholm Cardoso, queriam convencer os jurados que ele tinha compreensão da gravidade dos crimes que praticou, mas não possuía controle sobre suas ações. Eles apresentaram um laudo psiquiátrico que diagnosticou o motoboy como semi-imputável.

Se a maioria dos jurados votasse pela imputabilidade do acusado, como queria o MP, Pereira seria condenado como um criminoso normal e iria para uma prisão comum.

Do contrário, se optassem pela semi-imputabilidade, como queria a defesa, ele poderia receber uma medida de segurança e ficar internado num hospital psiquiátrico onde receberia tratamento médico.

“O laudo dele é um dos mais belos erros psiquiátricos e médico-legais que eu já vi na minha vida”, disse o promotor na ocasião.

O julgamento foi acompanhado por parentes das vítimas, que são filmadas chorando.

O vídeo termina com policiais levando Pereira com as mãos algemadas até a frente do juiz Homero Maion, que lê a sentença a partir da decisão dos jurados.

“Senhores jurados após votar os quesitos entenderam que o senhor praticou esses delitos e assim resolveu condená-lo”, anuncia o magistrado. Palmas são ouvidas depois que o Maníaco do Parque é retirado do plenário. 

Os jurados consideraram o réu imputável, como queria o Ministério Público. Dessa forma, ele passou a cumprir sua pena em uma prisão comum.