Defensor da liberdade?

AFP3 de setembro de 2012

O Governo do Equador afirma que defende a liberdade de expressão ao dar asilo diplomático a Julian Assange, fundador do WikiLeaks.Mas os jornalistas do país sul-americano têm outra opinião sobre o histórico do presidente Rafael Correa quando o assunto é a imprensa... SOBE SOM:Na semana passada, Emilio Palacio, ex-editor de opinião do El Universo, revelou que teve de receber asilo político nos Estados Unidos.Junto com outros três diretores do jornal, Palácio foi condenado a três anos de prisão e ao pagamento de 40 milhões de dólares de indenização ao ser condenado por injúria contra Correa. Mas o presidente equatoriano pediu que a sentença fosse anulada após ser muito criticado em todo o país.Para a oposição, o caso não foi isolado... SONORA 1: Diego Cornejo, Associação Equatoriana de Editores de Jornais:“Há alguns meios de comunicação fechados, os juízes continuam perseguindo jornalistas e há pelo menos dois canais de televisão que foram suspensos na região da Amazônia. Esta é a situação geral. O clima é desfavorável para o livre exercício do jornalismo no país”. Correa foi elogiado por observadores internacionais da imprensa por investir em rádio e televisão estatal para reduzir o poder dos magnatas da comunicação no Equador. Mas para muitos, o presidente comete o mesmo erro que denuncia. SONORA 2: Eric Samson, Repórteres sem Froneiras:“Os meios de comunicação foram muito injustiçados pelo presidente. Isso é real e temos criticado. Correa segue se colocando como vítima, como sem forças frente ao poder da imprensa. Mas o presidente domina todos os poderes do Estado e possui recursos enormes como publicidade estatal, redes de transmissão nacionais, que fazem o mesmo que os meios privados”. Os editores de jornais que apoiam Correa acusam a imprensa de oposição de hipocrisia. Citam como exemplo o caso das notícias divulgadas pelo WikiLeaks, que muitos meios de comunicação locais publicaram.SONORA 3: Orlando Pérez, editor do El Telégrafo:“O El Universo e o El Comercio publicaram material do WikiLeaks, por que agora afirmam que eles violentam a lei, mesmo que tenham legitimado a informação em suas páginas. Isso parece com o que o presidente chama de moral dupla”.O Equador vai às urnas em fevereiro. Correa espera que o asilo a Assange seja benéfico nas urnas. Mas o oferecimento pode virar uma faca de dois gumes, já que a imprensa local insiste em reagir com desconfiança! ///FICHA TÉCNICA:Imagens obtidas em Quito e Guayaquil, Equador, Julho de 2011-Agosto 2012, Fonte: AFPTV (Access All)