A fé e o espírito olímpico

28 de julho de 2012

São 10 da noite e os atletas da equipe olímpica do Egito terminam o treinamento. Os exercícios começaram após o pôr do sol, já que a maioria aqui é muçulmana e precisa se alimentar antes do esforço físico. Este anos os Jogos Olímpicos coincidiram com o Ramadã – o mês sagrado do Islã -, trazendo uma provação para os esportistas: encontrar o equilíbrio entre a fé e a paixão. SONORA 1 - Abeer Ramadan, integrante da equipe Olímpica do Egito: “Não vou jejuar nos dias de competição. Observarei o Ramadã exceto por estas datas. O nosso líder religioso disse que se o jejum tem de durar mais de 16 horas, então é permitido não fazer”. Nem comer e nem tomar água entre o amanhecer e o entardecer – prática complicada de conciliar com o esporte de alto nível. Por isso, alguns países como Marrocos, Argélia e Egito autorizaram os atletas a descartar o jejum. SONORA 2 - Ali Abd Elbaki Shahata, secretário-geral da Academia de Estudos Islâmicos:“Reduz as forças. Diminui a motivação e a energia. Isso pode significar perda moral para eles e para os países deles. Para evitar isso, a alimentação foi permitida”. Cerca de 3.500 atletas de confissão muçulmana participam de Londres-2012. Vários países pediram o adiamento das datas dos Jogos, mas o Comitê olímpico Internacional se recusou a aceitar. Mesmo assim, os organizadores levaram em conta alguns pontos. SONORA 3 - Lassana Palenfo, membro do Comitê Olímpico Internacional:“Os restaurantes da Vila Olímpica vão ficar abertos 24 horas todos os dias. Desta forma, é possível comer a qualquer hora”. Os Jogos Olímpicos terminam no dia 12 de agosto. Com ou sem medalha, os atletas muçulmanos voltarão para casa ainda a tempo de celebrar o fim do Ramadã no dia 19 do mesmo mês.///FICHA TÉCNICA:Imagens obtidas no Cairo, Egito, entre 23 e 25 de julho de 2012.FONTE: AFPTV-