A polêmica do aborto no Uruguai

3 de agosto de 2012

Nesta clínica ilegal, agora fechada pela polícia, eram feitos centenas de abortos anualmente. As pacientes chegavam a pagar 500 euros.Clínicas como esta desapareceram no Uruguai. O país tem leis de aborto mais liberais do que outros na América do Sul, embora em alguns casos o procedimento ainda seja considerado crime. Mas o motivo para que muitas mulheres não recorram mais às clinicas é porque foi descoberta uma forma mais fácil de abortar: tomando Misoprostol, um remédio para úlceras de estômago.SONORA 1 – Francisco Coppola, presidente da Associação de Obstetras do Uruguai:“Misoprostol é um remédio que interrompe uma gravidez sem complicações em 97% dos casos”.Desde 2007, obstetras uruguaios têm autorização para recomendar o Misoprostol e são obrigados a proteger o anonimato das mulheres que queiram abortar, mas apenas gastroenterologistas podem realmente prescrever a pílula.Por causa disso um novo mercado ilegal surgiu no país.É muito simples comprar o Misoprostol. Basta uma rápida pesquisa na internet e uma ligação para marcar um encontro no próximo dia, no centro de Montevidéu.Nossa jornalista conta a vendedora que está grávida de quatro meses. Ela recomenda tomar cinco pílulas, o que vai custa cinco mil pesos, quase dois terços do salário mínimo aqui.Até este ano, duas mulheres sofrerem complicações com o remédio e morreram antes de chegarem ao hospital.Ativistas feministas afirmam que apenas a legalização do aborto vai evitar mais mortes. SONORA 2 – Martha Agunin, Associação Uruguaia para a Saúde das Mulheres:“Que garantia você tem que o remédio não está fora da validade ou contaminado? Ele não é vendido em lugares confiáveis. As mulheres falam pra gente: os médicos recomendaram tomar, mas tivemos que comprar em lugares perigosos, onde vendem crack também”.Na maior maternidade do Uruguai, obstetras podem recomendar legalmente o remédio a mulheres que querem abortar. Eles afirmam que é mais seguro do que uma interrupção cirúrgica. No entanto, o uso da pílula deveria ser supervisionado.SONORA 3 – Francisco Coppola, presidente da Associação dos Obstetras do Uruguai“Temos que ressaltar que tomar misoprostol é mais seguro do que o aborto numa clínica ilegal, sem a supervisão médica”.Grupos contrários ao aborto temem que a liberação do uso da droga seja a porta de entrada para mais leis favoráveis à interrupção da gravidez em toda a América Latina, onde o aborto só é permitido em Cuba, Porto Rico e Cidade do México.-----------Imagens de uma clínica ilegal em Montevidéu, onde um médico e enfermeiras foram presos em 2008;Imagens do exterior da maternidade Pereira Rossel;Imagens de um pacote de Misoprostol;Imagens de mulheres e crianças nas ruas de Montevidéu;Takes da tela de um computador;Imagens do encontro da jornalista da AFP com um mulher vendendo misoprostol;Takes externos da maternidade Pereira Rossel.