Vídeos espalham informações falsas sobre relatório das Forças Armadas

Sede do Ministério da Defesa, em Brasília (DF), em 26 de agosto de 2018. Nas redes, usuários espalham desinformação sobre relatório das Forças Armadas (Foto: Getty Images)
Sede do Ministério da Defesa, em Brasília (DF), em 26 de agosto de 2018. Nas redes, usuários espalham desinformação sobre relatório das Forças Armadas (Foto: Getty Images)

Após a divulgação do relatório das FFAA (Forças Armadas) sobre o sistema eletrônico de votação, diversos boatos sobre o documento passaram a circular nas redes sociais.

Um deles foi publicado em formato de vídeo no TikTok e de acordo com o autor do registro, o documento afirma que teriam sido detectadas anomalias pelas FFAA. Mas o conteúdo, que ultrapassa 6,5 mil visualizações no TikTok, é falso.

Captura de tela de um vídeo que espalha informações falsas sobre o relatório das Forças Armadas sobre urnas eletrônicas (Foto: TikTok / Reprodução)
Captura de tela de um vídeo que espalha informações falsas sobre o relatório das Forças Armadas sobre urnas eletrônicas (Foto: TikTok / Reprodução)

O relatório produzido pelas FFAA e enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na última segunda-feira (9) não apresentou qualquer prova de que as urnas eletrônicas são inseguras ou de que tenham sido alvo de ataques e fraudes eleitorais. Mas ao afirmar que não foi possível assegurar "que o sistema eletrônico de votação está isento da influência de um eventual código malicioso que possa alterar o seu funcionamento", o documento alimentou o discurso de que as urnas são "fraudáveis".

No vídeo viralizado no TikTok, o homem afirma que as FFAA detectaram anomalias nos dados analisados. O relatório afirma o contrário. A auditoria concluiu que os dados disponibilizados pelo TSE estavam em conformidade com os impressos nos Boletins de Urna. O Ministério da Defesa também afirmou no documento que no Teste de Integridade "as funcionalidades das urnas não apresentaram anomalias".

Há indícios de fraude nas eleições?

É falso que qualquer fraude nas urnas tenha sido comprovada. Ao contrário, instituições que atuaram como observadores nas eleições brasileiras reforçaram a credibilidade do sistema.

Uma delas foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira como exemplar para a América Latina.

De maneira semelhante, a Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) afirmou em um relatório preliminar que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível". O observador concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) elogiou a imparcialidade do TSE e ressaltou a confiabilidade das urnas eletrônicas. A instituição defendeu que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral e classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias".

O TCU (Tribunal de Contas da União) realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação e não identificou qualquer divergência nas mais de 5 milhões de informações de boletins de urna que analisou.

Esse vídeo também foi verificado pela Agência Lupa.