Vigilância sanitária interdita bares em bairro boêmio de São Paulo durante o carnaval

ALFREDO HENRIQUE
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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 06.08.2020 - Bar Salve Jorge, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 06.08.2020 - Bar Salve Jorge, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A fiscalização realizada desde o início do carnaval pela Vigilância Sanitária estadual, sob gestão de João Doria (PSDB), interditou quatro bares na região da Vila Madalena, bairro boêmio da zona oeste da capital paulista, neste domingo (14) -- mesmo dia em que outros dois estabelecimentos foram fechados na cidade também por descumprir protocolos sanitários de prevenção à Covid-19.

Ao todo, entre a sexta-feira (12) e este domingo, foram fechados 17 locais que mantinham aglomerações, pessoas sem máscaras ou que promoviam eventos clandestinos. A vigilância afirmou ter colocado cerca de 1.000 agentes nas ruas para fiscalizar aglomerações e o uso de máscara.

A coordenadora de fiscalização do Centro de Vigilância Sanitária Elaine D'Amico afirmou ao Agora, nesta segunda-feira (15), que a região da Vila Madalena estava vazia no sábado (13). O cenário, porém, mudou ao ponto de surpreender no dia seguinte.

"Fazemos direcionamento para todos os bairros da cidade. Porém, tivemos uma surpresa. Até sábado, a Vila Madalena estava tranquila. Mas no domingo, foi o inverso. Houve então redirecionamento de equipes para a região porque havia muito bar com aglomeração", explicou a coordenadora, que não soube quantificar quantas pessoas estariam promovendo aglomerações na região.

Aglomeração de pessoas na noite deste domingo na região do largo do Arouche, no centro de São Paulo Bruno Santos/Folhapress 0 **** Elaine acrescentou ainda que aproximadamente 300 pessoas se aglomeravam em uma festa clandestina, em Santo Amaro (zona sul), ainda no domingo. O local também foi interditado. "As pessoas estavam fechadas, em um lugar sem ventilação, sem nenhum tipo de cuidado, sem máscara de proteção", destacou.

O sexto local interditado, segundo a Vigilância Sanitária, concentrava cerca de cem pessoas aglomeradas, no Tatuapé, na zona oeste.

A consequência das aglomerações flagradas no carnaval, projeta a coordenadora, irão refletir no aumento de casos de Covid-19, internações e eventuais mortes na cidade, da mesma forma que ocorreu após as festas de fim de ano.

Ela salientou ainda que, entre novembro do ano passado e este domingo, foram autuados 1.800 estabelecimentos no estado de São Paulo, por descumprimento às regras de prevenção ao novo coronavírus. Isso representa aumento de 163% em relação aos 1.100 casos, computados entre julho e novembro de 2020.

"O aumento do descumprimento [de medidas sanitárias] gerou todo este quadro [de aumento de casos de Covid-19] que vivemos recentemente. Nos próximos 15 dias, isso pode piorar."

Pancadões

A Polícia Militar impediu que cerca de 500 festas clandestinas fossem realizadas no estado de São Paulo neste fim de semana, nos primeiros dias de Carnaval, que neste ano teve desfiles de escolas de samba e blocos de rua cancelados, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Segundo a corporação, locais onde costumam ocorrer bailes funk foram mapeados e "dentro de critério técnico" viaturas acabaram direcionadas às regiões identificadas para "impedir a instalação de pancadão."