Vigilância sanitária do Rio recolhe mais de 100 pomadas que causam cegueira temporária em comércio da Zona Oeste

As pomadas modeladoras de cabelo que causaram lesões nos olhos e até cegueira temporária em quase 200 pessoas no município do Rio foram alvo de fiscalização nesta quinta-feira. O Instituto municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio) recolheu 101 potes com produtos irregulares vendidos no comércio dos calçadões de Bangu e de Campo Grande, na Zona Oeste. Foram fiscalizados 16 estabelecimentos, seis deles autuados pela venda de cosméticos sem registro.

A ação, com o objetivo de impedir a comercialização dos produtos irregulares, ocorreu após uma série de denúncias de consumidoras relatando queimaduras nos olhos em decorrência do uso dessas pomadas. De 26 de dezembro a 2 de janeiro, foram feitos 195 atendimentos do caso no Hospital municipal Souza Aguiar. Em apenas 12 horas, 120 pessoas procuraram a emergência da unidade relatando dor intensa, embaçamento, dificuldade para abrir os olhos e até cegueira temporária. A causa era a mesma: pomadas modeladoras usadas para fazer tranças e baby hair.

No calçadão de Bangu, os agentes identificaram cinco marcas irregulares comercializadas em quatro das oito lojas visitadas. No local, 31 potes das pomadas EWA, Twister, Master Hair e King Braids e do shampoo Trança Amiga foram retirados das prateleiras. Já no calçadão de Campo Grande, foram apreendidos 70 produtos irregulares das marcas EWA, Master Hair, Barba Negra e KG Cosméticos (pomada e gel capilar), em dois estabelecimentos dos oito fiscalizados.

Agora, os lojistas têm prazo de 10 dias para apresentar comprovante de descarte adequado ou documento que ateste a regularidade do produto. O prazo pode ser prorrogado mediante solicitação. Quem descumprir será devidamente monitorado e fica sujeito a sanções, multas e até cassação da licença de funcionamento. Os comerciantes autuados também devem apresentar em até sete dias a nota fiscal dos produtos apreendidos, para a devida identificação dos distribuidores.

Durante as ações, não foram encontrados frascos de outras três pomadas já identificadas como irregulares: a Ômega Fix, a Max Braids e a Cassu Braids Cassulinha — da Microfarma Indústria e Comércio Ltda —, que tiveram a comercialização suspensa pelo Ivisa ou pela Anvisa.

— A gente orienta que os consumidores sempre adquiram produtos regularizados. Caso o consumidor tenha alguma dúvida, ele pode entrar no site da Anvisa e buscar por produtos regulares. A consulta é fácil e autoexplicativa — orienta a farmacêutica Rebecca Gabriel, subgerente do Núcleo de Fármaco e Tecnovigilância do Ivisa.

Diante da suspeita de qualquer irregularidade em um produto adquirido, o consumidor pode fazer denúncia na Central 1746, da Prefeitura do Rio. Já em casos de efeitos adversos pelo uso de produtos, a recomendação da Vigilância Sanitária municipal é procurar uma unidade de saúde, levando o frasco, para que sejam feitas as devidas notificações aos órgãos responsáveis para investigação.

Depois de proibir, no início do mês, a comercialização dos cosméticos da Microfarma Indústria e Comércio LTDA, produtora da pomada Cassu Braids Cassulinha, equipes da Vigilância Sanitária estadual esteve, nesta quarta-feira, no endereço informado pela fabricante. Chegando lá, os fiscais constataram que não havia indício de nenhuma atividade no local e que o prédio estava abandonado, conforme noticiou o colunista Ancelmo Gois.

O objetivo da ação era apreender todos os produtos fabricados pela Microfarma, que teve a licença estadual de funcionamento cancelada em 2016. Os dados da ação serão enviados para a Anvisa.